O Conselho Executivo da União Africana (UA) rejeitou a proposta de Gana para incluir a violência contra migrantes africanos na África do Sul na agenda da próxima reunião de coordenação a realizar-se em Outubro, no Egipto, depois que Pretória argumentou que o assunto fosse discutido num fórum mais amplo.
Gana levantou a questão na última quarta-feira durante uma reunião do Conselho Executivo dos Ministros das Relações Exteriores da UA em Adis Abeba, capital etíope. No entanto, o Ministro das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ronald Lamola, rejeitou a proposta. Ele argumentou que, em vez de apontar o dedo para a África do Sul, a UA deveria promover uma discussão mais ampla sobre os padrões migratórios no continente.
A África do Sul têm insistido, desde o início, numa uma discussão mais ampla, não apenas para incluir mais países, mas também para abordar o que chama de factores de atracção e repulsão — essencialmente, as más condições políticas e económicas em outros países que levam os seus cidadãos a fugir para a África do Sul e para outros países.
Pretória defende que a Reunião de Coordenação Semestral da União Africana, em Outubro, que reúne apenas 12 chefes de Estado representando o Bureau da UA e os blocos regionais, não é o fórum adequado para uma questão dessa magnitude. Lamola disse que a África do Sul estava a interagir com a Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos antes de uma visita planeada pelo relator nacional e estava também em contacto com os responsáveis pelo mandato de refugiados e solicitantes de asilo da comissão, engajamentos que ele descreveu como o canal apropriado nesta fase.
De acordo com uma fonte diplomática, a África do Sul reafirmou o seu apoio à decisão de longa data da União Africana de convocar uma conferência continental sobre migração. “Após a decisão da 49ª Sessão Ordinária do Conselho Executivo da União Africana (UA) de não discutir a migração na próxima reunião de revisão intercalar da UA, a África do Sul reafirma o seu apoio à decisão de longa data da União Africana de convocar uma conferência continental sobre migração”.
A troca de “mimos” em Addis- Abeba ocorreu após uma disputa que se arrasta desde Maio, quando o Ministro das Relações Exteriores de Gana, Samuel Okudzeto Ablakwa, escreveu à UA pedindo que os ataques xenófobos fossem discutidos na cimeira ordinária em Adis Abeba, em Fevereiro de 2027, argumentando que violavam a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos e contrariavam o espírito do pan-africanismo.
Gana tem sido o crítico mais veemente dos protestos anti-imigração e dos ataques xenófobos na África do Sul. O país repatriou centenas dos seus cidadãos da África do Sul e, em 25 de julho, anunciou o início da próxima fase para evacuar cerca de mil pessoas.





