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Actualizado de Segunda a Sexta

15 de July, 2026

ProMEL e TRICAFÉ II reforçam desenvolvimento sustentável e conservação da biodiversidade em Moçambique

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Os projectos ProMEL (que versa sobre o Mel e Apicultura em Moçambique: Promoção do Desenvolvimento Sustentável e Conservação da Biodiversidade) e TRICAFÉ II (de Produção Sustentável de Café em Sistema Agroflorestal) estão a impulsionar novas abordagens para conciliar a conservação da natureza com o desenvolvimento sócio-económico das comunidades que vivem nas áreas de conservação de Moçambique.

Apresentadas nesta terça-feira, em Maputo, as duas iniciativas, desenvolvidas através de uma ampla parceria entre instituições moçambicanas, portuguesas, brasileiras e argentinas, apostam na investigação científica, na capacitação técnica e académica, na valorização das cadeias de valor do mel e do café e na transferência de conhecimento para as comunidades locais.

O ProMEL, lançado em 2025, tem como objectivo promover a produção sustentável de mel de elevada qualidade em áreas de conservação, transformando a apicultura num instrumento de conservação da biodiversidade e de melhoria das condições de vida das populações.

O projecto prevê a caracterização ecológica das áreas de produção, a análise físico-química e polínica do mel, estudo das espécies florísticas utilizadas pelas abelhas e a implementação de boas práticas de produção e certificação, facilitando o acesso dos produtores a mercados diferenciados.

Uma das componentes estratégicas do ProMEL passa igualmente pelo fortalecimento da cadeia de valor da apicultura, envolvendo associações de produtores, comunidades, investigadores e instituições públicas, com vista à criação de mecanismos de certificação participativa e de valorização comercial do mel produzido nas áreas protegidas.

O projecto contempla ainda um forte investimento na formação de recursos humanos, incluindo cursos técnicos, programas de capacitação online, bolsas de mestrado e doutoramento e o intercâmbio científico com instituições internacionais, destacando-se a colaboração com a Argentina, reconhecida como um dos maiores exportadores mundiais de mel.

Paralelamente, o TRICAFÉ II, iniciado em 2024, na sequência dos resultados alcançados pela primeira fase do projecto (2017-2023), prossegue a aposta na produção sustentável de café em sistemas agroflorestais, sobretudo nos Parques Nacionais da Gorongosa e Chimanimani, nas províncias de Sofala e Manica, respectivamente.

Segundo os líderes dos projectos, durante a primeira fase foram plantadas mais de 800 mil plantas de café, envolvendo centenas de famílias produtoras e contribuindo igualmente para a recuperação da floresta através da plantação de árvores nativas. O projecto permitiu ainda formar uma nova geração de investigadores moçambicanos especializados na cultura do café, tendo resultado em diversas dissertações de mestrado, teses de doutoramento e publicações científicas internacionais.

Na actual fase, os investigadores procuram avaliar o impacto do sistema agroflorestal na recuperação dos ecossistemas, estudando indicadores como armazenamento de carbono, regeneração da floresta, biodiversidade, qualidade do solo e adaptação das plantações às alterações climáticas. Os estudos demonstram que o café produzido sob sombra, em sistemas agroflorestais, constitui uma alternativa sustentável para a restauração florestal, favorecendo simultaneamente a conservação da biodiversidade e a produção agrícola. Outra linha de investigação centra-se na valorização das espécies silvestres de café existentes em Moçambique, considerado o segundo maior centro africano de diversidade genética desta cultura, logo a seguir à Etiópia.

O projecto introduziu ainda técnicas inovadoras de fermentação do café, desenvolvidas em parceria com especialistas brasileiros, permitindo alcançar padrões internacionais de qualidade e abrir novas oportunidades de valorização do café moçambicano nos mercados especializados.

Além da investigação, os projectos apostam fortemente na disseminação do conhecimento através da organização de seminários, conferências, produção de materiais técnicos e científicos e na criação de plataformas digitais destinadas aos diferentes intervenientes das cadeias de valor.

Segundo os coordenadores dos projectos, o objectivo comum consiste em demonstrar que é possível conciliar a conservação da biodiversidade, a investigação científica e a criação de oportunidades económicas sustentáveis para comunidades que vivem nas áreas protegidas de Moçambique.

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