Mais de 600 trabalhadores da Fundação Ariel Glaser, que actuava no combate ao HIV e SIDA em vários distritos da província de Cabo Delgado, contestam a sua desvinculação e apontam alegadas irregularidades no processo conduzido pelos chefes dos recursos humanos.
A contestação foi tornada pública na última sexta-feira (09), quando um grande número de trabalhadores se concentrou nas instalações da organização, na cidade de Pemba, exigindo o cumprimento da legalidade no processo de cessação dos contratos.
Durante a manifestação, um dos trabalhadores, visivelmente exausto, alegou que a suspensão dos contratos ocorreu de forma pouco clara, exigindo o respeito da legalidade laboral.
“Estamos aqui para reivindicar os nossos direitos, porque nós tivemos o cancelamento dos contratos num tempo em que apenas estávamos em suspensão e não entendemos os motivos dessa decisão”, afirmou.
O mesmo trabalhador acusou o responsável dos recursos humanos de não ter cumprido a promessa de pagamento dos salários referentes a Março. Avançou que, após vários dias de espera, os trabalhadores foram informados de que não receberiam qualquer remuneração.
Outra trabalhadora, Noémia José, que exercia funções de conselheira de pares numa unidade sanitária, também denunciou alegadas irregularidades no processo administrativo de cessação dos contratos.
José afirmou que os trabalhadores esperam receber indemnizações, à semelhança do que ocorre em situações de despedimento por iniciativa da entidade empregadora.
Noémia José acrescentou que as cartas de aviso indicam que o término dos contratos está previsto para o dia 10 de Maio, mas os trabalhadores afirmam estar a ser pressionados a abandonar as funções antes dessa data, sem garantias de pagamento dos salários referentes aos meses de Março e Abril.
Até ao momento, a direcção da Fundação Ariel Glaser não se pronunciou sobre as acusações, nem o governo provincial, apesar de o anúncio do fim das actividades da organização ter sido previamente tornadopúblico pelo governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo.
Durante a IV sessão do Conselho Executivo Provincial, no dia 18 de Março, o governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, anunciou que o governo tinha sido comunicado pela Fundação Ariel Glaser que 623 trabalhadores iriam ao desemprego, devido ao cancelamento das suas actividades em mais de 10 distritos da província.





