Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

8 de April, 2026

Frelimo reúne-se a partir de amanhã em Comité Central

Escrito por

O partido Frelimo, no poder desde a independência nacional, reúne-se, a partir de amanhã, 08 de Abril, em mais uma Sessão Ordinária do Comité Central, a decorrer na Escola Central daquele partido político, no Município da Matola, província de Maputo. O evento termina no próximo domingo, 12 de Abril.

Sem agenda pública conhecida, o evento será o segundo a ser dirigido por Daniel Chapo na qualidade de Presidente do Partido, e ocorre num momento em que o país é afectado por cheias e inundações severas em quase todo o território nacional, que ceifaram vidas humanas e destruíram várias infra-estruturas, com destaque para estradas, escolas e hospitais.

Para além das cheias, a reunião do Comité Central da Frelimo acontece num momento em que Moçambique é considerado o segundo país mais pobre do mundo pelo Banco Mundial, com 81% da população a viver com menos de três USD por dia (cerca de 200,00 Meticais).

Num Relatório divulgado há dias, o Banco Mundial defende ainda que o país está entre os 10 mais desiguais do mundo, sublinhando que “o número absoluto de pessoas vivendo na pobreza continuará a aumentar, com um acréscimo estimado em 1,8 milhões até 2028”.

Trata-se de um Relatório que confirma a penúria que caracteriza a sociedade moçambicana, num país rico em recursos minerais, alguns já em fasede exploração e exportação, como são os casos de carvão mineral, ouro, grafite, rubis, areias pesadas e gás natural. Aliás, os atrasos que se verificam no pagamento de salários dos funcionários públicos e a falta de medicamentos e artigos médicos tornou-se, nos últimos anos, a face mais visível da crise financeira em que o país está mergulhado.

A reunião dos “camaradas” decorre também num momento em que o Ruanda parece estar a virar as costas para Moçambique, com o seu Governo a ameaçar abandonar a província de Cabo Delgado, onde apoia o país no combate ao terrorismo, caso a União Europeia não apoie financeiramente as suas tropas.

Aliás, recentemente, o Presidente do Ruanda, Paul Kagame, defendeu que Moçambique e as empresas que exploram o gás natural na bacia do Rovuma devem pagar pela segurança, se quiserem proteger os seus activos, contrariando o seu discurso inicial de que as tropas do seu país estavam em Cabo Delgado por amizade e solidariedade.

A reunião deverá igualmente ser dominada pela recente decisão do Governo de liquidar a dívida moçambicana com o Fundo Monetário Internacional (FMI) no valor de 701 milhões de USD, no âmbito do PRGT (Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento), o principal instrumento do Fundo para fornecer financiamento em condições favoráveis ​​aos países de baixo rendimento.

A decisão é considerada, pela maioria dos economistas, como irracional, tendo em conta as dificuldades de tesouraria que o país enfrenta. No entanto, há quem entende que a medida vai restaurar a credibilidade de Moçambique no mercado financeiro internacional, abrindo espaço para que o Governo negoceie novos créditos.

Refira-se que, no plano político interno do partido no poder, o Comité Central desta semana deverá debater os temas para a 11ª Conferência Nacional de Quadros do partido, a decorrer entre os dias 21 e 23 de Agosto de 2026, na cidade de Chimoio, província de Manica. Deverá ainda debater o processo de recenseamento dos membros do partido, que decorre desde Fevereiro último. O encontro desta semana deverá também convocar o 13º Congresso do partido, a realizar-se, em princípio, em 2027.

Visited 329 times, 1 visit(s) today

Sir Motors

Ler 296 vezes