Na semana passada, uma professora de 40 anos de idade foi encontrada morta na sua casa, por moradores do bairro de Muatala, arredores da cidade de Nampula. Na altura, familiares e vizinhos da malograda acusaram os filhos da finada de terem assassinado a mãe, alegando que estes consumiam cannabis sativa e que teriam tirado a vida da mãe por esta se ter recusado patrocinar o suposto vício. Os indiciados foram detidos.
No entanto, após um trabalho técnico desenvolvido pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), concluiu-se que a professora não foi vítima de homicídio, mas de suicídio. Segundo a porta-voz do SERNIC, em Nampula, Enina Tsinine, após estranharem o silêncio e com a porta do quarto trancada, os filhos pediram a um carpinteiro para que arrombasse a porta do quarto da mãe, de modo a aceder ao interior.
Conforme conta Enina Tsinine, ao entrarem no quarto, os então indiciados encontraram a professora sem vida e a situação foi comunicada às autoridades, ao mesmo tempo em que a notícia da sua morte espalhou‑se rapidamente pelas redes sociais e por alguns órgãos de comunicação, que reportaram um homicídio praticado pelos jovens contra sua progenitora.
Realizada a autópsia e a perícia no local, o SERNIC concluiu que a causa da morte foi suicídio por enforcamento, sem indícios de intervenção de terceiros. Os investigadores do SERNIC verificaram também que o quarto da vítima não tinha sinais de luta, nem de desordem que sugerissem homicídio.
Igualmente, foram analisados vestígios de sangue reportados pelos vizinhos e pela mãe da vítima, tendo sido constatado que a presença daquele líquido se enquadra na dinâmica do acto do suicídio, afastando qualquer tipo de agressão.
A porta-voz do SERNIC referiu ainda que no local do crime foi encontrada uma carta escrita pela professora, na qual a suicida aborda questões financeiras (dívidas), fornece contactos, instruções de pagamento (após o recebimento de salários) e indica quem deverá ficar com os filhos, elementos considerados importantes pelos peritos para concluir que a morte da professora foi por si previamente planificada.
Com base nestes elementos, Enina Tsinine admite a possibilidade de os filhos detidos serem restituídos imediatamente à liberdade para reintegração social. Referir que os filhos da malograda acusados de assassinar a mãe têm 14 e 17 anos de idade.





