Elementos da Polícia Judiciária (PJ) de Portugal e do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses vão deslocar-se a Maputo, para acompanharem as investigações da morte do administrador financeiro do BCI Pedro Ferraz Reis, na última segunda-feira (19), na capital moçambicana, referem hoje (24) as autoridades daquele país europeu.
“Na sequência dos contactos com as autoridades de Moçambique, decorridos ao longo desta semana, e no quadro de cooperação entre as autoridades policiais e judiciárias de ambos os países, seguirá neste fim-de-semana para Maputo uma equipa composta por elementos da Polícia Judiciária e do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses. A equipa acompanhará as investigações da morte de Pedro Ferraz Reis, em estreita cooperação com as autoridades judiciárias e policiais, indicam os ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Justiça de Portugal, em comunicado conjunto divulgado hoje.
Na última terça-feira (20), o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) disse que “não há dúvidas nenhumas” de que o Chief Financial Officer (CFO) do BCI (Banco Comercial e de Investimento) suicidou-se com recurso a uma faca e ao veneno contra ratos Ratex, numa casa-de-banho do Hotel Polana, na capital do país.
“Do trabalho feito pela equipe técnica do Serviço Nacional de Investigação Criminal, em coordenação com a Medicina Legal do Hospital Central de Maputo e magistrados do Ministério Público, não há dúvidas nenhumas de que se trata de um caso de suicídio e não de homicídio, como se tem propalado por aí. Tirou a sua própria vida por meio de instrumentos corto-perfurantes e uma substância vulgo Ratex, usada para matar ratos”, afirmou o porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, em conferência de imprensa.
Com base em imagens captadas, Lole avançou que Reis, de 52 anos, usou uma faca de cozinha que tirou da cozinha da sua casa e um Ratex que comprou num supermercado.
“Saiu do BCI por volta da 14h00, primeiramente, dirigiu-se à cozinha da sua casa onde retirou uma faca e deslocou-se a um estabelecimento comercial onde teria adquirido mais duas facas que também foram encontradas no interior da sua viatura. Dirigiu-se a um outro estabelecimento comercial sito na Avenida Marginal, onde também adquiriu veneno para ratos”, explicou.
Pedro Ferraz Reis trancou-se numa casa-de-banho do Hotel Polana, desferiu golpes no pescoço, nos pulsos, coxas e no peito perto do coração, acrescentou o porta-voz do SERNIC. No referido supermercado, comprou duas facas, mas não as terá usado por serem leves, adiantou Hilário Lole.
Pedro Ferraz Reis foi encontrado morto na noite de segunda-feira (19), numa casa-de-banho do Hotel Polana, em Maputo, em circunstâncias “muito misteriosas”, disse à Carta um responsável daquele estabelecimento hoteleiro, um dos emblemático de Moçambique.
“Temos câmaras de vigilância no Hotel Polana, mas não nas casas-de-banho, obviamente, pelo que esse acontecimento brutal não está registado pelas câmaras”, avançou um responsável do hotel, concessionado pelo Estado moçambicano à Fundação Aga Khan.





