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11 de November, 2025

“Má reputação” trava Governo de converter BNI em Banco de Desenvolvimento

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A suposta má fama do Banco Nacional de Investimento (BNI), totalmente detido pelo Estado moçambicano, impede o Governo de converter esta instituição financeira em Banco de Desenvolvimento, uma das principais “bandeiras” da doutrina económica de Daniel Chapo, disse Titos Quive, consultor do Ministério das Finanças. “O BNI não deu um bom balanço, não tem um bom histórico no sistema financeiro, o BNI tem credito mal-parado”, afirmou Quive.

Aquele economista falava na sexta-feira (07), durante uma sessão de auscultação pública sobre o projecto de criação de um banco de desenvolvimento. “Temos de ser realistas, estamos a entrar no sistema financeiro, que é um mercado específico e temos de olhar para as implicações que teria essa opção”, frisou.

Por outro lado, prosseguiu, o BNI tem um estatuto legal que limita o âmbito de actuação, incluindo o escopo perseguido por um banco de desenvolvimento. “Há produtos financeiros que o BNI não pode gerar e como consequência da sua estrutura accionista”, sublinhou Titos Quive.

“Vontade de transformar o querido BNI em instrumento financeiro para o desenvolvimento existe, podíamos restruturar, mas se o sistema não o aceitar?”, questionou de forma retórica o consultor do Ministério das Finanças.

A questão reputacional é crucial para o sucesso de uma instituição bancária, enfatizou Titos Quive. Ademais, o BNI está sujeito a uma supervisão normal do regulador financeiro, o que não pode acontecer com um banco de desenvolvimento, que não pode ser limitado pelas exigências prudenciais impostas pelo banco central, continuou aquele economista.

Fundo Soberano é amortecedor da volatilidade

Sobre a hipótese de os recursos que estão a ser alocados ao Fundo Soberano de Moçambique (FSM) serem dirigidos ao desenvolvimento de infra-estruturas, Titos Quive afirmou ser reducionista a ideia de que o pecúlio daquela entidade fica cativado, para o futuro, observando a importância de afectação de verbas para a continuidade de investimentos que têm estado sujeitos à volatilidade e dependência de recursos externos. “Sectores críticos da vida do país têm sofrido com essa imprevisibilidade na afectação de verbas e os recursos do fundo compensam esses défices, funcionando como amortecedor”, enfatizou.

Os recursos daquela instituição serão também canalizados para as infra-estruturas estratégicas, também como forma de assegurar a prosperidade das gerações futuras. “Quero evitar esta coisa de pensar que poupar é guardar dinheiro para o futuro”, enfatizou aquele consultor do Ministério das Finanças.

O fundo soberano é um mecanismo de gestão da flutuação das receitas, frisou Titos Quive. “Se começamos a reconstrução ou reabilitação da Estrada Nacional Número 1 num determinado ritmo temos que assegurar que esse ritmo seja mantido”, frisou Quive, para quem o desenvolvimento de Moçambique não pode ser condicionado por choques nos investimentos.

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