Apesar da vigilância das tropas moçambicanas e ruandesas, a vila municipal de Mocímboa da Praia continua a ser “passarela” do grupo extremista islâmico – que desde 05 de Outubro de 2017 protagoniza ataques terroristas na província de Cabo Delgado – realizando diversas incursões àquela sede distrital.
Na noite de terça-feira, por exemplo, um grupo de terroristas conseguiu entrar e infiltrar-se na vila-sede de Mocímboa da Praia, trajado de uniforme das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), tendo realizado uma palestra numa mesquita, localizada no bairro Nabubussi, nos arredores da vila.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram pelo menos três terroristas a se dirigirem a fiéis de uma mesquita, explicando os motivos da sua luta, alegadamente relacionada com a necessidade de se implementar um Governo islâmico, em Cabo Delgado. Um dos terroristas palestrantes diz existirem, neste momento, dois governos, um de orientação islâmica e outro liderado por descrentes, em referência ao Governo oficial.
Na palestra dirigida a mais de uma dezena de pessoas, os terroristas apelaram aos presentes para que não sigam as ordens do Governo e do Estado moçambicano, sob pena de serem atacados nos próximos tempos. Exortaram igualmente a população a não cooperar com as Forças de Defesa e Segurança nacionais e ruandesas. “Se estamos a ouvir que existe o paraíso de Allah, então, saibam que não se entra de qualquer maneira. Isso não é uma vontade individual, é a religião de Deus”, sublinhou o bando.
À “Carta”, fontes de Mocímboa da Praia garantiram que o grupo permaneceu na mesquita perto de uma hora, tendo-se retirado sem haver qualquer confrontação com as tropas do Ruanda e de Moçambique. Também não houve qualquer dano humano e nem material na mesquita. Aliás, os presentes até foram permitidos gravar o discurso dos terroristas, que içaram a bandeira do Estado Islâmico durante a sua permanência.





