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7 de October, 2025

Desmobilizados da Renamo insurgem-se contra a convocação do Conselho Nacional por ser “tardia e manipulada”

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Ex-guerrilheiros da Renamo manifestaram, esta terça-feira, o seu descontentamento com a convocação, na sexta-feira, do primeiro Conselho Nacional da Renamo, a ter lugar no dia 16 de Outubro, na cidade de Nampula, província com o mesmo nome.

Falando, em conferência de imprensa, na Matola, província de Maputo, o grupo classificou a decisão, da Comissão Política daquele partido, de “tardia e manipulada”. Aliás, afirmam que a Comissão Política é “inconsequente” e que a reunião de Nampula é uma “manobra para perpetuar Ossufo Momade na liderança”.

A reação surge quatro dias depois de o porta-voz da Comissão Política da Renamo, Saíde Fidel, ter anunciado, em Maputo, a realização do Conselho Nacional da Renamo, a primeira do ano. A reunião tinha sido inicialmente agendada para os dias 07 e 08 de Março, mas foi adiada por “razões ponderosas”.

Segundo o porta-voz dos ex-combatentes da Renamo, João Machava, “a Comissão Política aparenta ser inconsequente”. “Não faz sentido que pessoas comprometidas com o bom nome do partido só agora apareçam para decidir pela realização do Conselho Nacional, depois do leite derramado. Esta convocação não passa de uma manobra dilatória que visa manter Ossufo Momade na liderança”, disse o ex-membro da Junta Militar da Renamo, que se encontra suspenso das funções de membros da Renamo desde 23 de Setembro último.

Machava acusou ainda o actual Líder da Renamo, Ossufo Momade, de estar “cooptado pelo poder” e de beneficiar-se de privilégios incompatíveis com o papel de oposição. “Quem come com a Frelimo na EMOSE, PETROMOC e outras empresas públicas não pode liderar a Renamo. Alguém que continua a usar escritórios e casas arrendadas em nome do líder da oposição, mesmo sem o ser, não pode continuar à frente do partido”, declarou.

Os desmobilizados da Renamo exigem ainda que o Conselho Jurisdicional daquela formação política acione diligências junto do SERNIC (Serviço Nacional de Investigação Criminal) e da Procuradoria da República, em Nacala-Porto, para investigar as supostas distribuições de catanas a “marginais” que teriam sido enviados para atacar os membros do partido naquela região.

“Esta reunião não passa de uma fantochada”, reforçou Machava, apelando à mobilização dos desmobilizados que participaram na Conferência Nacional de Manica para integrarem a sessão de Nampula. “Vamos lá à nossa maneira para resolver o problema de uma vez por todas. Mesmo que tentem barrar o nosso acesso, isso não vai surtir efeito, porque em todas as províncias existem desmobilizados”, alerta.

Confrontado pela “Carta” sobre o processo de encerramento das delegações provinciais e distritais, outrora anunciado, João Machava garantiu que o processo está em curso. “A Conferência Nacional determinou a reabertura das delegações no espaço de 45 dias. Vamos continuar a trabalhar a partir da base porque queremos ver a Renamo em cima, não em baixo”, defendeu.

Machava concluiu apelando à unidade interna e à participação activa dos membros na reconstrução do partido. “Convocámos esta conferência apenas para reagir à convocação do Conselho Nacional e transmitir uma mensagem clara: queremos uma Renamo forte, unida e livre de manipulações.”

Refira-se que, na semana finda, os desmobilizados da Renamo anunciaram a criação de uma Comissão de Gestão, constituída por três membros do partido (em representação de cada zona do país), com a finalidade de gerir, de forma interina, a Renamo enquanto se aguarda a realização do Conselho Nacional, o órgão máximo da “perdiz” no intervalo entre os congressos. A decisão foi tomada em Chimoio, província de Manica, onde o grupo esteve reunido a fim de delinear as estratégias para destituição do Líder do partido, acusado de nepotismo, arrogância, inoperância e servilismo à Frelimo. (Lúcia Mucave)

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