Não está nada fácil isto de resolvermoa os problemas do nosso país, progredirmos, desenvolvermo-nos e expandirmos cada vez mais o bem estar do moçambicano. Para uma mera mente humana, pequena e modesta, mas atenta e preocupada com o bem e o progresso dos compatriotas, custa perceber como estas coisas continuam como estão, ou pioram a cada ano que se vai. Não passam três meses que procurei deixar aqui registadas as intensas “frustrações dos chibutenses”, na província de Gaza, com as condições de vida que se lhes está a proporcionar, ano após ano, enquanto os chineses e uns poucos mozes de colarinho branco banqueteiam-se com o recurso natural ali disponível!…
Chibuto, a vila, tem, como eu dizia numa outra crónica sobre Moamba, todas as características de uma sede distrital normal do nosso país – e até muitas capitais provinciais, senão todas: como, além de Moamba, Magude, Chókwè, Guijá – o leitor pode acrescentar os nomes dos distritos da sua província! Quase tudo, infelizmente. Imagens pálidas, cinzentas, em desmoronamento, de estado de abandono, ausência de florescência, estruturas físicas mal conservadas, entre edifícios em escombros, tipo carcaças, outros que quase desde a sua primeira pintura após construção nunca mais conheceram outra. Limpeza, ornamentação e jardinagem são coisas que não fazem parte de nós, são de outras galáxias! Tristemente.
Não se sente o desenvolvimento das nossas vilas, vilas-sede distritais, até das próprias capitais provinciais. A questão estética não é nada connosco. Temos muitos e muitos bairros de expansão em quase todas as nossas vilas e cidades, mas urbes – ou mesmo simples bairros – bem arquictetadas, belas, bem organizadas, bem pavimentadas não estamos a conseguir. Aliás, nalgum momento tínhamos abraçado os pavês, em detrimento do tradicional asfalto, mas ultimamente nem uma coisa nem outra.
E é isto que é a vila de Chibuto: não fugindo às nossas regras e padrões!
Mas o que mais frustra os chibutenses – e muitos dos moçambicanos -, como descrito na crónica citada, é o facto de os chineses (estrangeiros) estarem ali a desfrutarem a seu bel prazer das areias pesadas e os locais não estarem a beneficiar-se de absolutamente nada. Tudo continua como dantes e a degradar-se cada vez mais: vila (s) com falta de água, sem energia, ou energia de má qualidade, erosão, estradas (principais, secundárias, terciárias e quaternárias) em muito mau estado, sem hospital nem escola de referência… portanto, sem nada!
E são estes dois itens que me fazem voltar a rabiscar sobre o nosso amado distrito. Hospital e escola, a cidade de Chibuto tem. Mas são velhos. Como foi amplamente noticiado, há dias, pelas televisões nacionais, o edifício do Hospital Rural de Chibuto… veja-se só, rural, está a cair; pode desabar a qualquer momento! Idem para o edifício da Escola Secundária de Chibuto: também está a cair de velhice… não bem de velhice, mas de falta de manutenção! Construídos nos finais da década de 70, inícios da de 80, nunca beneficiaram de manutenção séria, até hoje que estão quase a desabar.
E é aqui onde estamos: as nossas cidades, vilas ou localidades a desmoronarem-se ano após ano. Não estamos a conseguir o que bem conhecemos aqui da vizinha África do Sul: a ex-Nelspruit. A Nelspruit que conhecemos há trinta, quarenta anos não tem absolutamente nada a ver com a actual cidade que ali mora. A evolução, o desenvolvimento, a arquitectura, a beleza ornamental, bem como a limpeza são muito bem notórios para os cegos.
O que mesmo mais nos dói em Chibuto é ter areias pesadas ali em exploração e saber que dirigentes lá vão mês sim, mês não, com James Bonds encherem-se de dinheiro vivo. O povo ali a minguar: sem hospital, sem escola, sem água, sem energia, sem estradas, sem empregos e agora com… insuficiência alimentar!
Muita coisa para uma pequena mente.





