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15 de August, 2025

Um nkulungwane a Daniel Chapo

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O passado mês de Julho foi tenebroso para a nossa pérola do Índico. Aos 11 dias, aquilo pareceu um grandioso apagão nacional. Anunciava-se que o Moçambola – o nosso campeonato nacional de futebol – iria parar por tempo indeterminado. A direcção da Liga Moçambicana de Futebol (LMF) assumia publicamente que não tinha fundos para as passagens aéreas para as equipas participantes. Aquilo foi como que uma bomba, um profundo revés para o país profundamente desencontrado, desnorteado e ainda à procura de si próprio: o futebol… (Karl Marx apontou a religião e alguém cunhou futebol) é, hoje, ópio de qualquer povo. Seja em que formato for – todos contra todos, ou regionais/provinciais -, o futebol consolidou-se como um mega palco de exorcismo social. Quase todos os países do mundo, se não todos, praticam futebol. Até os Estados Unidos, que durante muitos e longos anos não quis saber, há bom tempo que trabalha para dominar o futebol mundial, investido mundos e fundos; e, hoje, são os países árabes que de tudo estão a fazer, também, para se imporem no panorama futebolístico mundial.

De modo que um país sem campeonato de futebol não é devidamente tido e devidamente considerado – as Ilhas Marshall são uma abordagem à parte devido às suas condições geográficas. Ainda que o futebol não seja o desporto principal, como nos próprios EUA, Índia, Canadá, Mongólia e outros, é praticado e seguido por uma boa franja da população.

De modo que o anúncio da LMF e a efectiva paralização, de 11 a 24 de Julho (cerca de duas semanas), gelaram completamente o país, corporizavam um retrocesso bastante grande para Moçambique, pesem todas dificuldades e problemas que dele conhecemos. Aliás, não é a primeira vez que este terramoto chamado “paragem do Moçambola” devasta os moçambicanos. Ano, sim; ano, não; há sempre paragens do nosso campeonato nacional. Mas sempre que isso acontece, o frenesim nacional é estarrecedor.

Seja em que formato for, nacional ou provincial, o futebol é uma indústria que gere grandes lucros em muitos países com economias desenvolvidas e ou em desenvolvimento; nos países com economias menos desenvolvidas, o futebol tem sido patrocinado por diferentes entidades, governamentais, económicas ou outras. O futebol precisa de ser alavancado. Quanto mais não seja no nosso caso onde ele serve de factor dinamizador do nosso desiderato colectivo flutuante, a unidade nacional!

O que acontece entre nós é que o futebol não está a ser devidamente patrocinado. O próprio governo não tem tido contribuição significativa, pujante e galvanizante; ainda que tal seja por razões que podem ser compreensíveis, a alegada exiguidade de fundos. O sector empresarial nacional, esse, tem presença quase insignificante, inexistente praticamente; excepção seja feita para o sector empresarial estatal, HCB, EDM, CFM, ENH… e pouco menos. Das multinacionais e dos mega-projectos, estas, fazem quase, quase, o que lhes apetece: absolutamente NADA! ZERO! Muito, mas mesmo muito por culpa do nosso governo. O governo de Moçambique muito pouco faz, ou nada mesmo faz, por forma a pressionar as multinacionais que exploram os nossos recursos naturais e outros negócios. Multinacionais como a Heineken, que, noutros países, como África do Sul, e na Europa, patrocinam Ligas, selecções e ou clubes, aqui entre nós nem um só centavo. Temos aqui multinacionais como a Total Energy, Coca-Cola, Mozal, Sasol, Areias Pesadas de Moma, Areias Pesadas de Chibuto, a Rubi Mining, Gemfields, KarPower, as cervejeiras Heineken, CDM… etc., etc., etc…. os bancos… todas elas, nem uma quinhenta! A CDM (2M) já foi patrocinadora da Liga Moçambicana de Futebol em anos idos, mas entendeu, a seu bel prazer, retirar-se!

Dos muitos bancos que enchem a nossa praça, pior ainda. Puro e absoluto silêncio! Bancos que ano após anos anunciam estrondosos lucros e distinções, mas para o desporto nacional contribuem absolutamente com… nada!

Sempre considerei que o Governo deve pressionar as instituições elegíveis – muitas das quais anunciadas acima – para patrocinarem o desporto que consideramos “ópio do povo”. Destarte, aplaudo, em pé e com todas as minhas energias, o Presidente Daniel Chapo pelo anúncio feito de que a CDM vai apoiar a LMF com um milhão de dólares para pagamento das passagens aéreas dos clubes do Moçambola, graças ao apelo por ele feito. Nkulungwaneeee!…

Entrementes, acho pouco. Muito pouco. Há que pressionar todas as multinacionais e mega-projectos para alegrarem o sofredor e desamparado povo moçambicano! Faz sentido a SASOL estar a explorar recursos em Inhassoro, mas Inhambane não ter uma equipa firme no Moçambola? Nem estrada, nem hospital de referência, nem escola de referência para os locais! A Deng Sheng, em Chibuto/Gaza… nem estrada, nem água potável para a vila, nem hospital, nem… nada!; nem um centavo para pôr o Clube de Chibuto em competições! Faz sentido a MOZAL, no país há cerca de 30 anos, não ter nunca tirado um centavo em apoio ao “ópio do povo”? E POR AÍ ALÉM!…

Apela-se vivamente ao Presidente da República e a todo o governo que dirige que pressionem para que as multinacionais apoiem o nosso futebol.

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