Nesta semana, franjas notáveis da nossa juventude borraram a harmonia de uma reunião do Presidente Daniel Chapo com a “juventude” arregimentada no Conselho Nacional da Juventude. Dessa desarmonia ressaltou o habitual coro reivindicativo juvenil, a exposição recorrentemente justa das demandas por emprego e Habitação, com um desafio algo exagerado ao protocolado, suscitando algum embaraço presidencial, embora Chapo se tenha mantido firme.
A firmeza do PR decorre de um seu cometimento claro, que ninguém deve ignorar: Chapo já carregou no botão verde do “walk the talk” relativamente às suas promessas eleitorais, visando esta mesma juventude. Uma semana antes deste episódio reivindicativo no Centro de Conferências Joaquim Chissano, Daniel Chapo concretizou aquela que é, se calhar, a maior proeza do seu governo: a abordagem do planejamento de uso de terra para efeitos residenciais… da juventude.
Ele fez o lançamento do “Projecto de Terra Infra-estruturada”, uma grande promessa eleitoralista, com a entrega de 1.200 talhões para a construção de residências na localidade de Faiquete, no Distrito de Vilankulo. Os terrenos entregues respondem aos quesitos da urbanização eficiente, através de um ordenamento territorial que suplanta a vigente demarcação simples de talhões com arruamentos, mas sem água nem luz nem outras facilidades públicas.
O ordenamento de Faiquete é uma lufada de ar fresco depois de muitos anos de laxismo nesta matéria, tanto da parte do governo central como do lado das autarquias locais, cujo paradigma de expansão urbana tem consistido apenas na distribuição de DUAT. Neste contexto, Faiquete deve ser um grande exemplo para os municípios, uma fonte de inspiração para as autarquias locais, as quais devem também dar o seu contributo na provisão de terra infra-estruturada para a juventude.
Chapo assumiu este desiderato como uma das grandes missões do seu consulado. Isso não significa que as autarquias locais estejam excluídas desse trabalho. Aliás, boa parte da demanda por terreno infra-estruturado para habitação provém de jovens que fizeram a mobilidade do campo para as cidades, à busca do seu quinhão na precária ou quase inexistente redistribuição da riqueza em Moçambique.
Daniel Chapo deu um passo em frente num quadro hostil da nossa economia, enfrentando uma gravosa crise de tesouraria, um crescimento nulo no primeiro semestre de 2025 devido aos tumultos pós-eleitorais (Banco de Moçambique). A conjuntura económica manda dizer que a contenção da propensão reivindicativa ainda vai levar tempo.
Mas Chapo não vai baixar a bola. Seu Governo prevê, ao longo dos próximos cinco anos, promover o acesso da juventude à terra infra-estruturada, com a infra-estruturação de mais de 49 mil talhões a nível nacional, distribuídos tendo em conta o número de habitantes de cada distrito ou município, assegurando vias de acesso, água, saneamento, energia e reservas de espaços para serviços públicos e privados, a exemplo de Faiquete. Isto deve ser elogiado sem preconceitos e amarras ideológicas, nem premissas editoriais de cores partidárias.
MM





