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28 de July, 2025

Jornalista Selma Inocência denuncia envenenamento num hotel de luxo em Maputo

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A jornalista moçambicana Selma Inocência denunciou, neste domingo (27), através da sua página oficial no Facebook, ter sido vítima de envenenamento por metais pesados durante uma estadia num hotel de cinco estrelas, em Maputo. O alegado incidente terá ocorrido em Março deste ano, após uma formação que ministrou na capital moçambicana.

Em declarações à Carta de Moçambique, Inocência relatou que chegou ao país a 2 de Março, um dia antes do início da formação, e regressou antecipadamente no dia 6 do mesmo mês devido a sinais de insegurança que terá identificado durante a visita.

“Cheguei a Moçambique no dia 2 de Março e tive de regressar no dia 6, num voo antecipado, porque já tinha percebido grandes sinais de insegurança. Como sabia que a minha ida a Maputo seria arriscada, hospedei-me num hotel de cinco estrelas. Durante a minha estadia, não saí para nenhum restaurante, o meu trajecto era apenas para o local onde dei a formação, de 3 a 5 de Março”, afirmou a jornalista.

Questionada sobre o nome do hotel, Selma Inocência optou por não revelar, justificando a decisão com o objectivo de evitar prejuízos à imagem da unidade hoteleira e dos seus investidores.

“Não posso dar essa informação, porque estaria a ser injusta com os investidores desses empreendimentos, que podem não ter estado a par de uma possível operação de envenenamento nos seus estabelecimentos. As minhas declarações podem gerar prejuízos a essas pessoas. Este é um assunto criminal e que está nas mãos das autoridades policiais na Alemanha”, explicou.

Na publicação que fez nas redes sociais, a jornalista descreveu o episódio como doloroso e reafirmou o seu compromisso com a verdade e o jornalismo.

“Este não é um vídeo fácil de gravar, mas é necessário. Devo isso a mim mesma e a todos os que acreditam na verdade, na justiça e no poder do jornalismo”, declarou.

De acordo com o testemunho, os primeiros sintomas incluíam fadiga extrema, dores de cabeça, tonturas, dores nas costas e queda de cabelo. Com o tempo, as suas capacidades motoras foram severamente afectadas, dificultando até tarefas básicas como caminhar.

Já de regresso à Alemanha, onde reside, estuda e trabalha, Selma procurou assistência médica. Após ser hospitalizada e submetida a uma “bateria de exames”, os resultados revelaram níveis elevados de metais tóxicos no organismo, entre eles mercúrio, estanho, cádmio, urânio, potássio, antimónio e alumínio.

“Estes não são elementos que se encontram por acaso. São venenos industriais, usados em operações silenciosas para eliminar pessoas”, afirmou a jornalista.
Ela explicou os efeitos devastadores dessas substâncias no corpo humano, apontando desde danos renais e neurológicos até falência de órgãos e risco elevado de cancro.
Sublinhou ainda que estes metais pesados não são detectáveis em exames clínicos comuns, sendo necessário recorrer a testes toxicológicos especializados.

“Se eu não tivesse tido acesso a este tipo de teste, a minha morte teria sido atribuída a uma doença prolongada ou a causas naturais”, alertou.

Actualmente, em tratamento intensivo, a jornalista vive com fortes limitações físicas e dores constantes, mas assegura que não será silenciada.

“O silêncio protege aqueles que usam o medo e métodos cruéis para intimidar. Jornalismo não é crime. E eu não vou parar de falar”.

Selma Inocência não identificou directamente os responsáveis, mas garante ter documentado toda a operação e os envolvidos. A sua denúncia levanta sérias preocupações sobre o uso de substâncias tóxicas como ferramentas de repressão e silenciamento de vozes críticas. (Carta)

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