O economista e antigo governante José Chichava teceu duras críticas à gestão das finanças públicas no país, apontando que a interferência política e a impunidade “dos que delapidam o erário público” continuam a travar o progresso nacional.
“O desenvolvimento do país está refém de decisões políticas erradas, que ignoram o facto de que a gestão da coisa pública é uma ciência”, alertou. Para o economista, é urgente colocar pessoas competentes à frente das instituições do Estado, em detrimento de nomeações baseadas em critérios meramente partidários ou políticos.
Chichava falava num debate público subordinado ao tema “50 anos de Finanças Públicas e Desenvolvimento Local: Entre Crises e Sucessos”.
O evento realizou-se na última quinta-feira (17), em Maputo, cerca de um mês após Moçambique celebrar os 50 anos da proclamação da sua independência.
Durante a sua intervenção, Chichava defendeu ainda que a educação deve ser encarada como pilar fundamental do desenvolvimento, rejeitando a ideia de que o crescimento demográfico seja o principal entrave ao progresso.
“Uma das soluções é a educação. Por exemplo, as pessoas que têm o meu nível de educação sabem o que significa ter três, quatro, cinco ou seis filhos. Sem ninguém ter dito, são elas próprias que optam por ter menos filhos por causa do custo de vida”, disse o economista.
De acordo com informações partilhadas pelo Observatório Cidadão para Saúde (OCS), o debate decorreu num contexto marcado por desafios persistentes na gestão financeira do Estado, tais como a pobreza estrutural, as desigualdades regionais, a dependência externa, a corrupção e a limitada capacidade técnica ao nível local. O encontro teve como objectivo reflectir sobre os caminhos percorridos ao longo das últimas décadas e debater soluções viáveis para o futuro. (Carta)





