Domingo, 21 de Julho de 2025. O dia em que Moçambique se declarou oficialmente zona livre de humor.
À entrada do país, um cartaz invisível: “Proibido rir sem autorização do Ministério da Alegria Condicional.”
O trio do crime? Gilmário Vemba (angolano, perigoso porque faz rir e — pior ainda — pensa), Hugo Sousa (português, branco mas suspeito) e Murilo Couto (brasileiro, logo, risonho por natureza). Os três ousaram tentar entrar em Moçambique para cometer o pior dos delitos: fazer um povo cansado, endividado e traumatizado… rir por duas horas seguidas.
Felizmente, o nosso robusto Serviço Nacional de Migração, no auge da sua festa de 50 anos, manteve a pátria segura. O director-geral, em conferência solene, explicou com a gravidade de um médico a anunciar que o riso provoca hepatite:
“Vieram fazer um show. Mas não obedeceram aos critérios. Não tinham visto de comédia.”
Ah! O famigerado visto de comédia. Documento raro, emitido após vistoria minuciosa pela Direcção Nacional de Fiscalização de Piadas. Tudo para evitar que um comediante estrangeiro diga, sem querer, que a nossa realidade política é… engraçada.
Mas o caso piora. Descobre-se que Gilmário, além de contar piadas, teve o desplante de tirar fotos com Venâncio Mondlane, opositor profissional e autor do slogan “Anamalala” — termo que significa “acabou” em macua, mas que o governo já traduziu para “interferência externa em assuntos internos com patrocínio lusófono e risadinhas subversivas”.
Ora, se Mondlane é opositor e Gilmário é seu amigo, então… temos um golpe de Estado disfarçado de stand-up. Elementar, meu caro comissário!
E Venâncio, com a subtileza de quem sabe que está sempre a ser escutado, reage com ironia:
“Olha Gilmário, meu irmão, finalmente já foste baptizado.”
Tradução: quem anda com gato, mia.
No meio disto tudo, o povo? Cancelou o espectáculo, perdeu o dinheiro, ficou à porta do teatro, mas ganhou uma nova certeza: rir em Moçambique agora é acto político.
E como todo acto político, é melhor feito em voz baixa, com um olho na polícia e outro na fronteira.
Aliás, fica a sugestão para os próximos espectáculos:
Nome artístico: Os Vistos Risonhos
Local: Maputo, mas só via Zoom.
Tema: “Como rir num país onde tudo é piada, menos quem governa.”
Enquanto isso, o regime continua a caçar humoristas e a ignorar os corruptos.
Porque, claro, quem rouba milhões pode entrar — mas quem rouba gargalhadas tem de ser deportado.




