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10 de July, 2025

Moçambique apresenta uma elevada taxa de fecundidade

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Moçambique possui uma elevada taxa de fecundidade, o que constitui o principal factor de crescimento populacional e dificulta a provisão de serviços básicos. A informação consta de um relatório sobre a Situação da População Mundial 2025, lançado na terça-feira (08), em Maputo.

Com o título “A verdadeira crise de fecundidade: a busca pela autonomia reprodutiva num mundo em transformação”, o relatório, compilado pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), aponta que a taxa de fecundidade é mais alta na província do Niassa, com 6,8 filhos por mulher, seguida de Cabo Delgado, com 6,2, enquanto a província de Maputo regista a taxa mais baixa, com 2,8.

O relatório indica ainda que Moçambique regista, ao longo do tempo, altas percentagens de gravidezes na adolescência. Os dados mostram que a percentagem de mulheres jovens, com idades entre os 20 e os 24 anos, que tiveram o primeiro parto entre os 15 e os 18 anos, é elevada. A taxa mais alta verifica-se na província de Cabo Delgado (63%), seguida de Nampula (51%) e, por último, a cidade de Maputo (14%).

O documento destaca que as mulheres em Moçambique preferem ter famílias mais pequenas, mas muitas não conseguem exercer essa escolha livremente.

Por outro lado, o relatório revela que o país tem uma das taxas mais elevadas de uniões prematuras no mundo, apontando que muitas jovens, entre os 20 e os 24 anos, casaram-se pela primeira vez entre os 15 e os 18 anos. A maior taxa destas uniões foi registada, mais uma vez, na província de Cabo Delgado, seguida da província de Manica.

Relativamente ao empoderamento feminino, uma em cada quatro mulheres é vítima de violência por parte do parceiro íntimo.

A nível mundial, o relatório refere que uma em cada cinco pessoas não tem o número de filhos que gostaria de ter. Entre os principais obstáculos estão as dificuldades económicas, os problemas habitacionais, a precariedade no emprego e a desigualdade de género. Adicionalmente, uma em cada três pessoas já experimentou uma gravidez indesejada.

Apesar das elevadas taxas, o relatório conclui que “independentemente de as pessoas quererem ter muitos filhos ou nenhum, merecem sistemas que apoiem as suas escolhas e não políticas orientadas pelo pânico”. (M.A.)

 

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