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15 de October, 2019

Oposição na Zambézia reitera slogan “votou e ficou” e Frelimo pede serenidade e confiança nos órgãos de gestão eleitoral

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Eram 7:00 horas quando Manuel de Araújo, cabeça-de-lista da Renamo, para a eleição provincial na Zambézia, chegou à Assembleia de voto, na Escola Primária de Coalane, na cidade de Quelimane, acompanhado por familiares e membros da Renamo a nível daquela província. Após exercer o seu direito cívico, na interacção que manteve com jornalistas que acorreram ao local, De Araújo começou por mostrar satisfação por ter votado.

 

De acordo com a recente reforma operada à Lei Eleitoral, é, automaticamente, eleito Governador de Província o cabeça da lista vencedora do escrutínio provincial, que acontece em simultâneo com as presidenciais e legislativas.   

 

 

Em seguida, o actual edil de Quelimane avançou: “o direito de voto de todos os moçambicanos surgiu a custo de milhares de jovens que pereceram e este era o momento de exercício democrático”.

 

Mais adiante, Manuel de Araújo disse que a Polícia da República de Moçambique (PRM) deve arbitrar e não jogar, como tem acontecido nos outros pleitos. Para o cabeça-de-lista da “Perdiz”, cada parte envolvida no processo eleitoral deve, sim, fazer o que lhe cabe, alertando para o perigo da usurpação de funções e competências.

 

Questionado pela imprensa se acompanharia o desenrolar do processo eleitoral a partir da sua residência, usando uma metáfora e socorrendo-se ao facto de maior parte dos moçambicanos serem camponeses, De Araújo atirou: “eu, como muitos de nós, sou um camponês e, como camponês, preocupo-me com o fruto da minha produção, leva muitas vezes seis meses, outras vezes leva nove meses, a preparar o terreno, a chaçar o terreno, a colocar a semente, depois de a semente germinar, é importante que a gente vá lá ver. E quando chega a altura da colheita, quando há macacos à volta, é preciso que a gente coloque espantalhos para afugentar os macacos, caso contrário vai acontecer aquilo que aconteceu em Marromeu e que todos nós assistimos, onde os macacos vieram roubar o milho do povo. Então, o apelo que faço é que, de facto, é preciso protegermos o nosso milho, para que os macacos não o roubem, mas dentro do instituído na Lei”.        

 

Já Luís Boavida, cabeça-de-lista do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) votou na Escola Primária Completa de Janeiro, igualmente, na cidade de Quelimane, quando eram, precisamente, 8:50 horas. Sem fugir à regra, Boavida disse que também era um homem feliz por ter exercido o seu dever cívico.

 

Boavida exortou a todos os zambezianos devidamente recenseados a ir votar, porque só desta forma é que decidirão o futuro da Zambézia, isto para os próximos cinco anos.

 

Tal como Manuel de Araújo, Luís Boavida defendeu a ideia de acompanhar de perto a contagem dos votos devido à postura dos orgãos eleitorais.

 

“Na minha opinião, o comportamento dos eleitores depende do comportamento dos órgãos competentes para a gestão do processo eleitoral. Se o comportamento dos gestores do processo eleitoral não estiver em conformidade com a lei, de certeza que o eleitor também sentir-se-á obrigado a exigir a reposição da legalidade. Na minha opinião, é preciso ver como se vão comportar os órgãos eleitorais e já começamos a notar situações anómalas desde esta manhã. Portanto, vamos ver como os órgãos eleitorais se comportam ao longo do dia”.

 

Entretanto, o cabeça-de-lista do Partido Frelimo, Pio Augusto Matos, que votou na Escola Industrial 1º de Maio, quando eram 8:15 horas, disse que se sentia realizado e que a afluência inspirava confiança, o que reflecte o empenho durante o período da campanha eleitoral e daquilo que foi a mobilização do seu partido. Para Pio Matos, “este exercício é para nós próprios, é uma oportunidade que temos para escolhermos quem nós queremos para dirigir os nossos destinos”.

 

Segundo Matos, a adesão e a ordem que se verificaram no recinto da Escola Industrial 1º de Maio “contradizem a narrativa de que vai haver violência, que o país não está bom, e que este país vai arder”. Pio Matos disse que estava “sereno” e que iria para casa aguardar pelos resultados.

 

Num outro desenvolvimento, Matos exortou os eleitores a dirigirem-se às urnas para escolher os seus dirigentes, advertindo que só assim é que poderão fazer futuras exigências.

 

No mesmo diapasão, o porta-voz do Partido Frelimo, Caifadine Manasse, começou por dizer que se sentia um cidadão especial porque acabara de dar o seu contributo para a consolidação do Estado de Direito Democrático. Manasse exortou a todos os cidadãos recenseados a irem votar e a escolher o melhor programa de governação.

 

Relativamente à permanência nos locais da votação, Manasse disse que não é permitido por lei e que todos os eleitores devem, depois de votar, regressar à casa, alegadamente, porque existe uma máquina eleitoral criada para gerir o processo.

 

No entanto, o nosso jornal visitou cinco postos de votação no centro da cidade e, nos bairros periféricos, entre eles, as escolas primárias de Coalane, Janeiro, de Quelimane, a Escola Industrial 1º de Maio e a Escola Primária de Incídua, esta última, onde existem eleitores que montaram acampamento já lá vão três dias. Conforme verificamos, a afluência era maior e eleitores de todas as idades, com idade eleitoral, estavam ansiosos para exercer o seu direito. (Omardine Omar, na Zambézia)

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