Duvido que tenha sido uma encomenda do regime. Pareceu-me uma empreitada de graxinha ávido das sobras do banquete. Como o poder é simbolizado por esse endinheiramento cruel, o trapezista usa um tapete vermelho, esburacado, onde apoia sua avareza, na pior encenação para o momento desgraçado de Moçambique.
Ele se exibe em hotel de luxo Made in China. Lá dentro, certamente, a ocupação não alcança os 50%, de acordo com as estatísticas, mas a narrativa vendida e consumida avidamente nas redes sociais é a de um país que já recuperou o rumo.
Pode ser…que as elites do regime ja sintam essa retoma mas a sociedade morre de fome, todas as horas. A narrativa até é tentadora para Chapo, com seu esforço para recuperar os anos perdidos com o nyussismo. Mas ela não encaixa no padrão discursivo do chapismo, mais comedido no cantolarolar dos sucessos perceptíveis e dos imaginados.
A graxa exalada, em tons de riqueza fácil, não encaixa não. Chapo procurou sempre não dar espaço a este tipo de culto de personalidade que entoa hossanas virulentos sob um palco com pilares de barro. Quem ficava bem segurando nessa batuta em chamas era o nyussismo, fingindo que não queimava, mas acabou ardendo o país todo.
O País do Rumo do Mc é anacrónico. Nao é chapista! Está no seu antípodas. Chapo fala do trabalho humilde, da produção de comida. A narrativa de Mc exalta o sucesso imediado com carros de luxo como prémio. Chapo fala de cultivar nos quintais, etc.
Não…Não sei se foi uma encomenda do regime. Se foi, quem aprovou essa descabida assessoria cometeu um tremendo erro de memória.
Para ilustrar o discurso de Chapo sobre produção, nosso cancioneiro está cheio de composições de fino trato.
Alguém certamente se lembra de “Verdes Campos”, da banda 1º de Maio, de Quelimane, que fez furor nos anos 80. Mas…mas o melhor tema mesmo, não para celebrar qualquer sucesso, mas para abraçar o apelo à produção é esse iconográfico Antlissa Maria, de Chico António. Seu refrão faz jus ao discurso de Chapo sobre a produção. Não sei traduzir toda a letra para português, mas ela fala disso mesmo: voltarmos a cultivar o campo.
Nada de rumos fictícios. Meu amigo Mc voltou a falhar. Mas é sua a sina….





