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18 de September, 2026

Finalmente, BRT dá passo para sair do papel

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O Governo lançou, finalmente, esta quinta-feira, 17 de Setembro de 2026, a primeira pedra para construção das vias de circulação do Bus Rapid Transit (BRT), um sistema de transporte público urbano, que funcionará em corredores exclusivos com alta capacidade e velocidade na Região Metropolitana do Grande Maputo. O acto ocorreu no bairro do Zimpeto, cidade de Maputo.

Refira-se que mais de 10 anos que o BRT é um simples Projecto em papel. Foi anunciado, pela primeira vez, em 2014, pelo então Edil da Cidade de Maputo, David Simango, mas a sua implementação foi falhando ao longo dos anos, até que foi resgatado no ano passado pelo Governo, através do Ministério dos Transportes e Logística, João Matlombe, que, aliás, na época era Vereador para Área de Transporte e Trânsito.

Ontem, João Matlombe dirigiu a cerimónia que marca o início da construção do BRT, depois de testemunhar a assinatura do contrato da empreitada adjudicada à empresa China Henan International Cooperation Group Lda. (ou CHICO).

No seu discurso de ocasião, Matlombe afirmou que o acto representa muito mais do que a assinatura de contratos, mas a passagem do planeamento para a acção, das intenções para a execução e da visão para a concretização. “Hoje, não estamos aqui para fazer promessas. Estamos aqui para anunciar a boa nova. Que a obra está a começar”, frisou o Ministro.

O governante garantiu que, com a contratação do empreiteiro e da equipa de fiscalização, já há condições necessárias para o início das obras, que deverão terminar no ano de 2028, com a entrega de um sistema moderno, eficiente e transformador de transporte público aos munícipes da Área Metropolitana de Maputo.

“Estamos perante um projecto estruturante, com um investimento de cerca de 250 milhões de dólares norte-americanos, concedidos sob forma de donativo pelo parceiro estratégico, o Banco Mundial. Com a primeira fase do Projecto vamos cobrir os municípios de Maputo, Marracuenee Matola”, assinalou Matlombe.

Com o BRT, disse Matlombe, o Governo pretende melhorar a mobilidade e a acessibilidade ao longo dos principais corredores dentro da Área Metropolitana de Maputo; reduzir o tempo de viagem, diminuindo o congestionamento e acelerar a mobilidade; além de reduzir a sinistralidade rodoviária e diminuir a emissão de gases poluentes no espaço urbano, promovendo desta forma a segurança rodoviária e garantir que o transporte público seja inclusivo, eficiente, previsível e resiliente às mudanças climáticas.

Numa cerimónia marcada pela presença alguns moradores do bairro Zimpeto, funcionários do Ministério que dirige e do Município de Maputo, Matlombe explicou que, nesta primeira fase, o Governo vai construir um corredor central segregado de cerca de 16.5 Km, que ligam a Baixa da Cidade de Maputo à Praça da Juventude, em Magoanine, e à Rotunda de Missão Roque, em Zimpeto. “Adicionalmente, o sistema vai integrar 46 Km de rotas directas e alimentadoras não segregadas, que vão ligar os principais terminais de Maputo, Matola e Marracuene”, detalhou o Ministro.

Ainda na fase inicial da operação, Matlombe disse que o Governo vai adquirir 71 autocarros eléctricos, equipados de Sistemas Inteligentes de Transporte bilhética electrónica, localização automática de veículos e informação aos passageiros em tempo real, em diversas plataformas incluindo telemóveis.

Para o Presidente do Município de Maputo, Rasaque Manhique, o BRT deverá facilitar a ligação dos bairros aos centros de emprego e serviços, aproximando os cidadãos das oportunidades. Manhique defende que o BRT poderá transportar cerca de 124 mil pessoas por dia, correspondentes a aproximadamente 40 milhões de viagens por ano, através de seis serviços, quando o sistema estiver plenamente operacional.

Por sua vez, o representante do Banco Mundial em Moçambique, Fily Sissoko, disse que a assinatura do contrato e o lançamento da primeira pedra não pode ser uma simples cerimónia, mas, sim, um cometimento para os dois milhões de habitantes da Área Metropolitana do Maputo, que hoje passam muitas horas indo para o trabalho, para a escola, para a clínica e para o mercado.

“Deixem-me concluir, dizendo que a pedra hoje lançada é uma promessa para os cidadãos da região de Grande Maputo. Eles irão julgar-nos, não pelo contrato assinado, mas pelo autocarro que não chegue no horário certo, com segurança e a uma tarifa que eles possam pagar. Por isso, passemos da assinatura à mobilização, da construção à prestação de serviços e da mobilidade à geração de empregos”, concluiu Sissoko.

O BRT é implementado no âmbito do Projecto de Mobilidade Urbana na Área Metropolitana de Maputo, vulgo MOVE Maputo. Antes do lançamento do BRT, no âmbito do MOVE Maputo, o Governo construiu três estradas alimentadoras do sistema. Trata-se da via que liga a Estrada Nacional nº 1 e o Bairro Khongolote, a Estrada Intaka-Boquisso e a Estrada Mathlemele-Nwamatibjana, construídas no Município da Matola.

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