O Governo da China disponibilizou 40,5 milhões de dólares para a construção do Centro Cirúrgico Nacional de Moçambique, no âmbito da cooperação bilateral.
O anúncio foi feito pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra da futura estrutura hospitalar, realizada no Hospital Central de Maputo.
O projecto resulta de um acordo celebrado entre os governos de Moçambique e da República Popular da China e representa, segundo o Chefe do Estado, um passo decisivo para reforçar o Sistema Nacional de Saúde (SNS), reduzir a dependência de tratamentos especializados no estrangeiro e ampliar a capacidade nacional de resposta às doenças de elevada complexidade.
Daniel Chapo afirmou que a construção do Centro Cirúrgico Nacional marca o início de uma nova etapa na consolidação do direito constitucional à saúde, permitindo que mais moçambicanos tenham acesso, dentro do país, a cuidados cirúrgicos especializados.
Segundo o Presidente, o objectivo é pôr termo à necessidade de milhares de cidadãos recorrerem a juntas médicas para receber tratamento em países como África do Sul, Portugal ou Índia, situação que acarreta elevados custos para o Estado e para as famílias.
Sublinhou que o novo centro representa igualmente um reforço da soberania sanitária nacional, ao criar condições para que os doentes sejam tratados em Moçambique, com recurso a tecnologia de ponta e equipas médicas nacionais.
Durante a cerimónia, Daniel Chapo destacou a solidez das relações entre Moçambique e a China, classificando a cooperação entre os dois países como uma parceria histórica baseada no respeito mútuo, na confiança política e na promoção do desenvolvimento.
O Presidente agradeceu ao Governo chinês e ao Presidente Xi Jinping pelo financiamento do projecto, considerando-o mais um marco na cooperação bilateral, particularmente no sector da saúde.
O Centro Cirúrgico Nacional será equipado com salas operatórias modernas, serviços avançados de esterilização, áreas de recuperação pós-anestésica, sistemas de controlo de infecções e equipamentos de monitorização de última geração, obedecendo a padrões internacionais de qualidade e segurança clínica.
O Chefe do Estado defendeu, contudo, que a modernização do sector não depende apenas da construção de infra-estruturas ou da aquisição de equipamentos, mas também da valorização dos recursos humanos. Nesse sentido, reiterou o compromisso do Governo de continuar a investir na formação de médicos, enfermeiros, anestesiologistas e outros profissionais de saúde, criando condições para que os especialistas moçambicanos possam exercer a sua profissão com os mesmos recursos tecnológicos existentes nos países onde realizam a sua formação.
Daniel Chapo recordou que muitos médicos regressam ao país após a especialização, sem encontrar equipamentos compatíveis com a formação adquirida, situação que limita o aproveitamento das suas competências. Na sua perspectiva, o novo Centro Cirúrgico Nacional permitirá inverter este cenário, contribuindo igualmente para o desenvolvimento da investigação científica, da inovação clínica e da formação de futuras gerações de profissionais de saúde.
O Presidente destacou ainda os progressos registados pelo SNS desde a Independência Nacional, reconhecendo, porém, que persistem desafios importantes no acesso aos cuidados especializados. Referiu que o Governo continua empenhado na implementação da nova Lei do Sistema Nacional de Saúde e na expansão da rede de postos de saúde comunitários, como forma de aproximar os serviços às populações e reduzir a pressão sobre os hospitais distritais, provinciais e centrais.
Na ocasião, prestou homenagem aos profissionais de saúde, que classificou como verdadeiros heróis nacionais pelo trabalho desenvolvido, muitas vezes em condições adversas e nas zonas mais remotas do país.
O Presidente manifestou ainda a expectativa de que a construção da unidade seja concluída no prazo previsto de 24 meses, permitindo que Moçambique passe a dispor de uma infra-estrutura capaz de responder às necessidades cirúrgicas mais complexas da população.





