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Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

23 de July, 2026

Moradores denunciam despejos, destruição de casas e alegadas agressões policiais nas Mahotas

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Moradores do bairro das Mahotas, na cidade de Maputo, denunciaram alegados despejos forçados, destruição de habitações e apreensão de bens, durante uma operação policial, segundo declarações prestadas à estação televisiva TV Sucesso.

De acordo com os residentes, agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) terão incendiado e destruído várias residências na madrugada de quarta-feira(22).

Os moradores afirmam que foram surpreendidos pela operação, enquanto dormiam, acordando em clima de pânico, e alegam que os agentes recorreram ao lançamento de gás lacrimogéneo durante a intervenção.

Os residentes afirmam que foram reassentados no local pelo município, na sequência das cheias que afectaram a zona onde anteriormente viviam.

De acordo com os depoimentos, o município terá procedido ao parcelamento dos terrenos e à colocação de marcos de delimitação, tendo solicitado o pagamento de 3.000 Meticais por agregado familiar, para o processo de legalização e emissão do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT).

Os moradores afirmam que aguardavam pela entrega da documentação quando, no dia 05 de Maio, uma equipa policial, acompanhada por operadores de máquinas iniciou a demolição de habitações.

Segundo os entrevistados, durante a operação, foram destruídas casas e alegadamente apreendidos diversos bens, incluindo dinheiro, telemóveis e outros pertences. Os residentes denunciam ainda que algumas pessoas foram agredidas e que a intervenção provocou momentos de pânico entre adultos e crianças.

Os moradores afirmam ter procurado esclarecimentos junto da secretária do bairro, que, segundo os seus relatos, lhes garantiu que a situação seria resolvida. No entanto, alegam que as operações prosseguiram dias depois, culminando na intervenção registada na madrugada desta quarta-feira.

Nas entrevistas, os residentes disseram desconhecer os fundamentos da operação policial, afirmando apenas que os agentes lhes terão indicado estar a cumprir ordens superiores.

Durante a reportagem, foi igualmente referido o nome de uma mulher identificada pelos moradores como Amélia, que, segundo os entrevistados, reivindica ser herdeira do terreno em disputa. Os residentes sustentam que essa alegação estará na origem do conflito.

Até ao momento, não são conhecidas reacções da Polícia da República de Moçambique (PRM), da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), do Município de Maputo ou da alegada herdeira do terreno às acusações apresentadas pelos moradores. 

 

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