O distrito de Chibuto, na província de Gaza, vive momentos críticos, devido às cheias que assolam aquele ponto do país desde a madrugada do último sábado. Informações colhidas pela “Carta” indicam haver comunidades ainda sitiadas e cada vez mais em risco de ficarem submersas devido à subida do caudal do Rio Limpopo.
O processo de evacuação prossegue, com os deslocados a serem encaminhados para a sede do Posto Administrativo de Chaimite, uma solução que já começa a causar preocupação, visto que o avanço das águas tem vindo a reduzir o espaço terrestre disponível, deixando as vítimas novamente sitiadas. Situação idêntica acontece na localidade de Maqueze.
Face a esta situação, o acesso por via terrestre aos dois locais já não é possível, o que obriga a prestação da assistência humanitária exclusivamente por via aérea. O Governo admite a necessidade de se tomar decisões urgentes para retirar a população destas zonas, tendo em conta o elevado volume das águas. Algumas das áreas agora afectadas não constavam do mapeamento oficial como zonas de risco, mas passaram a representar uma ameaça real à segurança das comunidades.
Neste momento, estima-se que cerca de 30 mil pessoas estejam afectadas, um número que poderá aumentar à medida que novas áreas não mapeadas forem atingidas. A Governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene, garante que os dados serão actualizados de forma contínua, em função da evolução da situação no terreno. A governante afirma ainda crescer a preocupação com o agravamento do custo de vida, com os produtos a custar mais do que o dobro do preço normalmente praticado.
Entretanto, apesar das campanhas de sensibilização em curso, algumas pessoas continuam a deslocar-se às zonas inundadas para pescar, numa tentativa de garantir sustento para as suas famílias, colocando, porém, as suas vidas em risco. Aliás, o Governo diz existir famílias que ainda se recusam a sair das zonas de risco, entretanto, Mapandzene assegura que, caso não haja consenso com a população, poderão ser adoptadas medidas coercivas, com o objectivo de salvaguardar vidas humanas.
No que diz respeito ao abastecimento de produtos básicos, Margarida Mapandzene relata que a interrupção da circulação de viaturas e pessoas na Estrada Nacional N.º 1 impede a chegada regular de produtos a partir de Maputo. Como alternativa, está a ser considerada a possibilidade de abastecimento, sobretudo de combustível, a partir do Porto da Beira, na província de Sofala. No entanto, subsistem dúvidas quanto à capacidade logística e aos níveis de stock disponíveis para responder às necessidades de toda a região, caso a situação se prolongue.
Importa destacar que, na província de Gaza, as autoridades nacionais abriram 36 centros de acomodação temporária, que acolhem 327 mil pessoas afectadas pelas cheias, sendo que o maior centro, o de Chiaquelane, alberga mais de 25 mil pessoas.





