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12 de January, 2026

Perto de 100 mortos nos primeiros três meses da época chuvosa em Moçambique

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Perto de uma centena de pessoas perderam a vida nos primeiros três meses da presente época chuvosa em Moçambique, maioritariamente em consequência de descargas atmosféricas, fenómeno que continua a liderar as causas de morte associadas às chuvas.

De acordo com o balanço cumulativo desde 1 de Outubro de 2024, período oficialmente considerado como início da época chuvosa, foram registados 92 óbitos, 86 feridos e 121.688 pessoas afectadas, correspondentes a 24.205 famílias, como resultado de chuvas intensas, ventos fortes, surtos de cólera e descargas atmosféricas.

Os dados foram apresentados pela Directora do Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), Ana Cristina, no balanço recente sobre os impactos das chuvas na zonas centro e norte. “A maior causa de óbitos continua a ser as descargas atmosféricas, com 49 casos”, afirmou Ana Cristina.

Este número representa 53,3 por cento do total de mortes registadas, seguindo-se os afogamentos, a cólera e outras causas como desabamento de infra-estruturas, electrocussão e queda em cursos de água.

A cólera, isoladamente, provocou 26 mortes, o equivalente a 28,3 por cento do total de óbitos, dentro de um cumulativo de 1.784 casos, com uma taxa de letalidade de 1,5 por cento. Os restantes 17 óbitos (cerca de 18,4 por cento) distribuem-se pelas outras causas mencionadas.

Em termos geográficos, a províncias de Nampula e Sofala, Norte e centro, respectivamente, concentram a maior percentagem de mortes registadas nesta época chuvosa, seguidas das províncias de Manica e Tete, zona centro, reflectindo uma incidência mais elevada dos fenómenos extremos na região centro e norte do país.

Os impactos materiais são igualmente significativos, com registo de 8.792 casas parcialmente destruídas, 4.269 totalmente destruídas e 10.110 inundadas. O sector social contabiliza 223 escolas afectadas, correspondentes a 462 salas de aula, prejudicando directamente 51.819 alunos. Além disso, 39 casas de culto e três unidades sanitárias sofreram danos.

De acordo com a fonte, na componente agrícola, as chuvas afectaram 6.288 hectares, com 15 hectares totalmente perdidos, impactando 2.820 agricultores. Cerca de 8.000 Km de estradas ficaram danificados e 814 animais morreram.

Como resposta do INGC, 1.164 famílias (4.520 pessoas) foram evacuadas nas províncias da Zambézia e Niassa, zona norte, e acolhidas em três centros de acomodação, onde receberam assistência alimentar, bens não alimentares e apoio em água e saneamento. “As acções incluem aviso prévio, montagem de tendas, evacuação da população e articulação com as Forças de Defesa e Segurança”, sublinhou a responsável.

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