Três pessoas perderam a vida e outras 14 passaram mal na sequência de um presumível envenenamento alimentar causado pelo consumo de um peixe identificado localmente como “dsiswe”, na localidade de Gadzene, distrito de Marracuene, província de Maputo. As autoridades provinciais enviaram equipas técnicas ao terreno para apurar as causas exactas do incidente.
De acordo com relatos de pescadores e moradores locais, o peixe em causa é conhecido por ser altamente tóxico. “Nem os pássaros o comem”, disse Ernesto Maluana, pescador, há cinco anos, na região, acrescentando que as vítimas começaram a sentir tonturas e confusão mental, pouco depois de consumirem o pescado.
O “dsiswe”, também conhecido pelo nome científico baiacu (ou “sapo-marinho”), contém substâncias potencialmente letais.
Segundo explicações de técnicos das pescas, o peixe torna-se especialmente perigoso entre Setembro e Outubro, período em que as suas toxinas atingem níveis críticos.
Mesmo fora dessa época, algumas partes do corpo como as vísceras permanecem extremamente venenosas, podendo causar a morte, se não forem removidas correctamente.
“Há muito tempo que a comunidade sabe que este peixe não deve ser consumido nem vendido”, afirmou Natércia Constantino, comerciante de mariscos da zona. “Quando o apanhamos, deitamos fora. Nem gatos, nem cães tocam nele”, reforçou.
As autoridades provinciais confirmaram que já foram recolhidas amostras do peixe para análise laboratorial. “Neste momento, não podemos afirmar oficialmente que as mortes resultaram do consumo deste peixe. Apenas uma autópsia poderá confirmar a causa exacta”, explicou um representante do Governo da província de Maputo, Paulo Cossa.
Ainda assim, o Governo admite que a espécie em questão “é conhecida por apresentar toxinas perigosas para a saúde humana”.
Enquanto se aguardam os resultados dos testes, as autoridades apelam à população para não consumir nem comercializar o baiacu. “Estamos a trabalhar com as comunidades costeiras para reforçar a sensibilização e evitar novas tragédias”, concluiu Cossa.





