Dezenas de trabalhadores da Kawena, empresa sul-africana que encerrou as portas, no país, na última quarta-feira, 01 de Outubro, denunciam não ter recebido indemnizações e nem salários em atraso. A empresa operava no país há mais de 35 anos.
Em conversa com “Carta”, um dos colaboradores, com 15 anos de trabalho na empresa, diz estar suspenso das actividades há quatro meses sem quaisquer compensações. “Estou em casa há mais de três meses, sem salário e sem indemnização. A minha família não tem como sobreviver e os meus irmãos não têm como me ajudar. Estamos desesperados”, relatou.
Segundo os funcionários, desde a entrada do actual responsável, identificado apenas como senhor Bila, começaram os atrasos salariais e os problemas internos. “Ele disse-nos que não vai pagar nada. Tentámos falar com a direcção, mas nunca tivemos respostas”, contou outro trabalhador.
Elisabete Cavele, funcionária há 13 anos, confirma a situação. “Fomos mandados para casa, através de um documento de aviso prévio e depois soubemos que a empresa iria encerrar, sem antes sermos comunicados. Até hoje não recebemos nada. Só queremos os nossos direitos”, sublinha.
Os colaboradores da Kawena, empresa predilecta dos cidadãos moçambicanos trabalhando na África do Sul, pedem a intervenção das autoridades moçambicanas para garantir o pagamento das indemnizações e salários em dívida há meses.
O encerramento da Kawena, que gerava centenas de postos de trabalho, deixou as famílias em incerteza e agravou a situação de vulnerabilidade dos trabalhadores, que aguardam medidas urgentes por parte das entidades competentes.
Refira-se que a Kawena comunicou o seu encerramento, no passado dia 24 de Setembro, alegando “devastadoras perdas financeiras causadas pelos tumultos e distúrbios políticos, ocorridos no fim de 2024 e início de 2025”, no âmbito das eleições gerais.
A empresa acrescenta que a falta de reembolso do IVA (Imposto sobre Valor Acrescentado) pelo Governo agravou a sua falta de liquidez, tornando insustentável a continuidade das operações no país.
No entanto, quem acompanha a Kawena por perto entende que o encerramento da firma pode resultar da qualidade dos serviços que esta tem oferecido nos últimos anos. Em 2017, por exemplo, mineiros moçambicanos, na África do Sul, denunciaram a empresa Kawena por vender produtos deteriorados aos seus familiares em Moçambique. O facto levou ao encerramento do Armazém da Machava, na província de Maputo, pela INAE (Inspecção das Actividades Económicas).
Em 2018, as Alfândegas apreenderam 36 contentores da Kawena que se presumia terem 28.800 sacos de cimento, provenientes da África do Sul. As autoridades suspeitavam que a mercadoria tinha chegado ao território nacional através de processos fraudulentos. Desde 2023, a empresa registava atrasos na entrega dos produtos aos moçambicanos, com destaque para o cimento de construção.





