O Conselho Municipal da vila de Marracuene, na província de Maputo, reconheceu, esta semana, a existência de irregularidades no primeiro concurso público para o ingresso na Polícia Municipal daquela autarquia, lançado em Abril do ano passado. O reconhecimento das irregularidades no referido concurso chega quase duas semanas após as denúncias apresentadas por concorrentes, que alegaram compadrio no apuramento dos candidatos.
De acordo com um comunicado emitido pelo Município de Marracuene, foram readmitidos ao primeiro curso de agentes da Polícia Municipal de Marracuene os seguintes candidatos: Abdala Marcos Lapone; Ana Armando Chandamela; Aurélio António Novela; Epifânia Alice Boque Chivale; Juvêncio Valente Mavila; Luís Alfeu Penga; Raimundo José Sitoé; e Ricardo Francisco Londoze.
Em entrevista à Carta de Moçambique, o Presidente do Conselho Municipal de Marracuene, Shafee Sidat, admitiu que as falhas verificadas no processo justificaram a reintegração dos oito candidatos. Segundo o Edil, desde o início, o concurso envolveu várias instituições, incluindo a Polícia da República de Moçambique (PRM), a ACIPOL (Academia de Ciências Policiais) e o Comando Distrital da PRM, o que o tornou “extenso e difícil de gerir”.
Durante o período de selecção, conta, houve substituições de comandantes e alterações na composição da comissão responsável, o que dificultou a responsabilização directa de uma única entidade. “Aceitamos que houve erros no processo, pedimos desculpas e corrigimos as falhas”, afirmou Sidat, sublinhando que a nova Comissão de Inquérito passou a incluir Vereadores do Município e o novo Comandante da Polícia Municipal, ao contrário da primeira, que tinha apenas um representante local.
Apesar das falhas, Sidat defende que os oito candidatos reintegrados foram escolhidos com base no mérito: “Foram os que obtiveram as melhores notas entre os que tinham ficado de fora. Posso garantir que não há dúvidas sobre isso”.
Refira-se que o concurso contou com 67.423 candidaturas para um total de 60 vagas, o que, para o autarca, torna inevitável que muitos concorrentes se sintam injustiçados. “Mesmo que fosse uma empresa privada a recrutar cinco pessoas entre vinte, os restantes quinze reclamariam. No contexto do desemprego, em Moçambique, esta reacção é compreensível”, atirou.
Sidat acrescentou que Marracuene é um município recém-criado, com recursos financeiros limitados, o que impossibilita contratações além da lei. “Eu gostaria de ter todos os 67 mil jovens na minha força policial, mas nem tenho salário para pagar 200 agentes”, reconheceu.
O Edil reforçou que o município procurou actuar com transparência, mas admite que haverá sempre contestações. “Não somos perfeitos, podemos errar, mas temos a capacidade de pedir desculpas e corrigir”, defendeu.





