Organizações da sociedade civil vão realizar no próximo sábado (27), na cidade da Matola, província de Maputo, uma marcha em repúdio à onda de “feminicídios” que têm acontecido nos últimos meses no país.
A iniciativa nasceu de duas amigas e mães, Lúcia Tânia Simbine e Valquíria Senete, que decidiram agir, na sequência do caso de uma adolescente de apenas 13 anos, que foi encontrada morta e a flutuar num rio, no dia 11 de Setembro, cinco dias depois de ter desaparecido de casa.
“Estamos cansadas de esperar que alguém faça alguma coisa. Como mães, sentimo-nos indignadas com este último caso e quisemos organizar uma marcha de solidariedade”, disseram as organizadoras do protesto.
A mobilização começou no grupo de Facebook “Mães e Amigas”, onde a proposta recebeu apoio imediato, afirmaram as duas promotoras.
Outras mulheres juntaram-se para ajudar a estruturar a ideia e, após os devidos pedidos, a marcha obteve autorização do Conselho Municipal da Matola, do Comando Provincial de Maputo e da Escola Secundária da Matola.
Embora não sejam activistas profissionais, as duas organizadoras têm desenvolvido, há mais de cinco anos, acções solidárias informais, apoiando famílias carenciadas, através de doações e campanhas em redes sociais.
O objectivo desta marcha é duplo: manifestar solidariedade às vítimas e apelar às autoridades para uma maior atenção aos casos de violência e exigir maior protecção a quem de direito. Muitas famílias queixam-se de falta de protecção legal e da forma como os processos são conduzidos.
“As vítimas e familiares não sentem que haja acompanhamento real. Queremos fazer barulho para que nos ouçam”, sublinharam as duas promotoras.
A iniciativa contará com a participação do músico e activista social Stewart Sukuma, bem como de familiares de vítimas de feminicídios registados nos últimos dias, dando ainda mais força ao movimento.
A marcha culminará com uma roda de conversa, que contará com especialistas convidados para sensibilizar, debater pontos críticos e recolher assinaturas para um abaixo-assinado.
O documento será posteriormente entregue a associações ligadas à defesa dos direitos humanos, lideradas por Custodio Duma e Carlos Serra, com o objectivo de dar continuidade processual às denúncias.
As promotoras esperam que esta seja apenas a primeira de várias marchas. “Queremos apoiar organizações já existentes e, acima de tudo, queremos ser ouvidas”, reforçam.
A adolescente que foi encontrada sem vida na Matola era residente de Malhampsene, distrito da Matola e, durante dias, familiares procuraram por sinais que indicassem o seu paradeiro e foram feitas buscas nas redes sociais.
A angústia terminou de forma devastadora no dia 11 de Setembro, quando o corpo de Yumily foi encontrado a flutuar no rio. O estado em que foi localizado levanta fortes suspeitas de que tenha sido vítima de violência antes de ser abandonada na água.





