Elias Dhlakama, ex-guerrilheiro da Renamo, movimento rebelde moçambicano, e irmão mais novo do falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama, falecido em 2018, afirmou que a desmobilização da milícia da Renamo “não era um projeto da Renamo” e não tinha nada a ver com seu irmão.
Mais de 5.000 ex-guerrilheiros da Renamo foram desmobilizados no âmbito do programa DDR (Desmobilização, Desarmamento e Reintegração). Entrevistado pela emissora de televisão independente STV, ele afirmou que o que Afonso Dhlakama desejava era a integração dos combatentes da Renamo em todas as instituições de defesa e segurança moçambicanas, o que não aconteceu. Ele não mencionou que o DDR fazia parte do acordo de paz assinado em 2019 entre o então Presidente, Filipe Nyusi, e o atual líder da Renamo, Ossufo Momade.
Elias Dhlakama também exigiu a renúncia de Momade. Ele defendeu o fechamento dos escritórios da Renamo em todo o país por gangues que se dizem combatentes desmobilizados da Renamo. Afirmou que isso foi resultado da má gestão do partido pela atual liderança, o que levou a um colapso na votação nas eleições gerais de 2024, quando a Renamo, que havia sido vice-campeã em todas as eleições anteriores, caiu para a terceira posição.
Ele culpou a liderança de Momade por não ter pressionado pela descentralização por meio da realização de eleições distritais. Afirmou que a Renamo havia cooperado com o partido no poder, o Partido Frelimo, para adiar as eleições distritais por tempo indeterminado.
Dhlakama afirmou que o encerramento dos escritórios da Renamo “não é um problema, mas sim a consequência de um problema. O que deve ser resolvido na Renamo não é o encerramento dos escritórios. O que deve ser resolvido é o que fez a Renamo cair para o terceiro lugar. Esse é o problema da Renamo. Por que a Renamo perdeu o controlo de oito municípios? Esse é o problema da Renamo”.
A solução para o problema, afirmou, era a demissão de Momade. “Se a situação na Renamo exige a demissão do seu líder, porque é que ele não sai?”, questionou Dhlakama. Admitiu que Momade tinha sido eleito Presidente da Renamo, mas afirmou que aqueles que o elegeram agora querem a sua demissão.
Dhlakama não é um observador imparcial da situação interna da Renamo. O que a STV não menciona é que Dhlakama foi o principal opositor de Momade nos dois últimos congressos da Renamo (em 2019 e 2024). Em ambas as ocasiões, Momade venceu a votação. Portanto, Momade pode reivindicar alguma legitimidade democrática, enquanto Dhlakama não.





