Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

1 de June, 2020

Estórias de menores que fogem aos ataques terroristas em Cabo Delgado

Escrito por

No dia em que se celebra o Dia da Criança, “Carta” decidiu trazer à tona estórias de menores que sofrem e testemunham os horrores provocados pelos ataques terroristas, protagonizados por um grupo até aqui não identificado, na província de Cabo Delgado.

 

Conforme consta do Informe do sector da educação, daquela província, entre 2017 e 2020, 56.402 crianças foram afectadas pela guerra que se instalou na terra do gás, petróleo, rubi e grafite, em oito distritos afectados pelos ataques terroristas.

 

No documento em alusão, consta que 5.768 crianças se encontram refugiadas em outros locais, ou seja, deixaram a província de Cabo Delgado. Um facto que nos foi revelado por fontes militares foi a chegada, neste domingo, nos centros de acomodação do distrito de Metuge, província de Cabo Delgado, de 30 crianças, sendo algumas órfãs e outras que não sabem do paradeiro dos seus progenitores. Segundo as fontes, as referidas crianças provavelmente ter-se-ão perdido durante os últimos ataques verificados no distrito de Macomia, entre quinta e sexta-feira.

 

Conforme apuramos, as crianças foram transportadas pelos oficiais das Forças de Defesa e Segurança (FDS) presentes no teatro das operações que, durante o fim-de-semana, conseguiram repor a ordem na vila de Macomia, embora não tenham sido capazes de conter a destruição e mortes de civis e militares.

 

De acordo com o sector da educação de Cabo Delgado, o distrito de Mocímboa da Praia aparece na frente com 28.260 alunos afectados; Quissanga com 10.047 alunos; Macomia com 7.898 alunos; Muidumbe com 3.278 alunos; Meluco com 3.370 alunos; Palma com 2.125 alunos; Nangade com 1.527 alunos e Mueda com 97 alunos. Cento e sete escolas foram fechadas e 1.110 professores estão sem trabalho, desde que a onda de ataques terroristas começou.

 

Entre os factos que foram registados durante este período, destacam-se os constantes sequestros de raparigas pelos terroristas, sendo que uma das acções se verificou no passado dia 21 de Maio, no bairro Nacala, no distrito de Mocímboa da Praia, onde quatro raparigas foram levadas pelos terroristas.

 

Recentemente, fontes governamentais contaram que duas raparigas conseguiram fugir numa das bases dos terroristas em Mocímboa da Praia. As raparigas, que haviam sido raptadas na aldeia Ulo, contaram que a base dos terroristas está baseada nas imediações do rio Messalo e que terão conseguido fugir até ao bairro Milamba, na vila de Mocímboa da Praia. As mesmas terão escapado, quando foram mandadas cartar água no poço sem supervisão dos terroristas.

 

Na ocasião, as duas “heroínas” revelaram que na base dos terroristas se encontram integrantes de diferentes nacionalidades e etnias e que na calada da noite todas as mulheres são obrigadas a dormir nuas e outras obrigadas a casar.

 

As crianças, em Cabo Delgado, passam por diversas dificuldades entre elas a fome e falta de condições básicas. Um exemplo claro vive-se nos centros de acomodação instalados em Pemba, Metuge e Quissanga. Os ataques em Cabo Delgado, de acordo com a ACLED, já provocaram mais de 1.000 mortes, entre elas crianças: algumas foram fervidas em panelas, outras decapitadas, algumas baleadas e também por doenças diversas. (O.O.)

Visited 36 times, 1 visit(s) today

Sir Motors

Ler 2,833 vezes