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5 de January, 2023

Oposição exige mudança de atitude do Governo em relação à guerra na Ucrânia

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Os partidos políticos da oposição com assento na Assembleia da República exigem uma mudança de atitude do Governo em relação à guerra na Ucrânia, que desde Fevereiro de 2022 opõe aquele país do leste europeu com a sua vizinha Rússia. A exigência surge em torno da tomada de posse, na passada terça-feira, de Moçambique como novo Membro Não Permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o biénio 2023-2024.

 

Segundo os dois principais partidos da oposição no xadrez político moçambicano, Renamo e Movimento Democrático de Moçambique (MDM), como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, Moçambique deve condenar qualquer tipo de agressão armada protagonizada por um país contra outro, independentemente das razões que estejam por detrás do conflito.

 

A Renamo, através do seu Presidente, Ossufo Momade, foi o primeiro a reagir à tomada de posse de Moçambique no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em comunicado de imprensa emitido na noite de terça-feira, o maior partido da oposição defendeu a necessidade de o país “reformular o seu posicionamento” em relação àquele conflito, pelo facto de este ter sido eleito por “expressivos votos de países que, em geral, condenaram a invasão a um país soberano”.

 

“Prevalecer com a posição neutral pende a uma assumpção de concordância e cumplicidade, o que pode, em última análise, ser contraproducente com o voto de confiança que nos foi dado”, justifica Ossufo Momade.

 

Por sua vez, o MDM, através do seu porta-voz, Ismael Nhacucue, afirma que, com a sua eleição àquele órgão, Moçambique deve assumir uma posição mais dura em relação ao conflito Rússia-Ucrânia, pois, não pode continuar a manter-se neutro quando um Estado invade outro, quando a sua missão é defender a paz e segurança no mundo.

 

“O país precisa de entender que passa a ser sua responsabilidade dizer ‘não à guerra’”, defendeu Nhacucue, em entrevista à “Carta”.

 

Lembre-se que, desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, o Governo moçambicano sempre optou pela neutralidade no conflito, alegando que sua preocupação é que as partes em conflito se sentassem, de modo a encontrar uma solução para o conflito.

 

Aliás, devido à neutralidade do Governo moçambicano, o Governo norte-americano, através do seu Embaixador em Maputo, Peter Vrooman, emitiu um comunicado de pressão ao Governo de Filipe Nyusi, no qual defendia o apoio dos moçambicanos aos ucranianos, pelo facto de o nosso país sempre ter tido apoio dos Estados Unidos da América, em todas as áreas sociais e económicas. Mas a pressão nunca teve sucesso.

 

Uma oportunidade para buscar parcerias no combate ao terrorismo

 

Para além de ser uma oportunidade para o país assumir uma nova posição em relação ao conflito geopolítico que se verifica no leste da Europa, o MDM entende ser uma excelente oportunidade para o Governo buscar mais parcerias para combater o terrorismo, que há cinco anos flagela a província de Cabo Delgado.

 

Ismael Nhacucue defende que o Conselho de Segurança das Nações Unidas é um órgão adequado para Moçambique deixar passar sua mensagem em relação ao desafio que trava no combate ao terrorismo, assim como buscar parcerias inteligente no domínio sócio-económico.

 

Para tal, o segundo maior partido da oposição no xadrez político nacional garante estar disposto a ajudar o Governo a alcançar os seus objectivos no órgão mais importante da ONU. “O MDM é um parceiro do Governo. Através da sua representação do Parlamento tem contribuído para a melhoria das políticas públicas”, afirmou Nhacucue.

 

Já a Renamo entende que o Governo deve usar o seu mandato para promover e defender os direitos humanos; combater o terrorismo e suas manifestações; as ameaças à Paz e segurança internacionais; o aquecimento global e as mudanças climáticas.

 

“Esperamos que Moçambique aprenda a respeitar os direitos humanos, porque o passado recente aponta-nos a práticas inaceitáveis e condenáveis, quando membros da Renamo, da sociedade civil, incluindo académicos e jornalistas, foram violentados ou silenciados do mundo dos vivos”, acrescenta aquela organização política, apelando àquele órgão das Nações Unidas a continuar o seu apoio ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) dos homens da Renamo.

 

Refira-se que, durante os dois anos em que fará parte do mais importante órgão das Nações Unidas, Moçambique vai concentrar os seus esforços em cinco temas fundamentais, nomeadamente, a promoção da paz internacional, com destaque para a paz no nosso continente; o nexo entre o clima, paz e segurança; o papel da mulher e dos jovens na manutenção da paz; o combate ao terrorismo e outros males que ameaçam a paz e segurança internacionais; a procura de um maior espaço para os países em desenvolvimento nas decisões internacionais, através da reforma das instituições multilaterais. (A.M.)

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