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22 de October, 2026

Ossufo Momade reconhece “divergências” na Renamo, mas pede respeito pelos órgãos e símbolos do partido

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O Presidente da Renamo, Ossufo Momade, admitiu, esta quarta-feira, existir divergências no seio do seu partido político. O reconhecimento da crise, instalada na antiga maior força política da oposição no xadrez político moçambicano desde as eleições gerais de 2024, foi feito durante a abertura do Conselho Nacional, o órgão mais importante daquela força política no intervalo entre os congressos. O evento, que decorre em Maputo, termina esta quinta-feira.

Segundo Ossufo Momade, a Renamo vive “tempos de tensão interna”, caracterizados por “mágoas, ambições e leituras diferentes do rumo do partido”. No entanto, entende que “ninguém vai apagar a história e a missão do partido”, pois a Renamo “nasceu nas matas, da inquietação de um povo que queria ser ouvido e que exigia liberdade, pluralismo e dignidade entre homens e mulheres”.

Falando aos membros da “perdiz”, depois de vários meses de ausência e silêncio sepulcral, Momade defendeu que os mártires da Renamo não deixaram o partido “para servir de palco a vaidades”. “Deixaram-nos uma causa. E uma causa só sobrevive se for servida por pessoas unidas em torno do essencial”, afirma a fonte, para quem “um partido sem divergência é um partido sem vida”.

A Renamo está a viver uma crise sem precedentes desde as eleições gerais de 2024, em que perdeu o estatuto de segundo maior partido com representação parlamentar, título ganho pelo estreante PODEMOS. Desde esse descalabro, vários membros seniores do partido têm-se rebelado contra liderança de Ossufo Momade, acusando-o de estar ao serviço do partido no poder, a Frelimo. A situação já levou ao encerramento de sedes distritais e provinciais do partido em todo o país, incluindo a sede nacional.

“A diversidade de opiniões não é uma fraqueza, é uma prova de maturidade democrática. O que não pode existir é a divergência que se transforma em ruptura, a crítica que se transforma em injúria e o debate que se transforma em guerra interna”, afirma Momade, assegurando que a unidade partidária “não se constrói pelo silêncio, pela exclusão, pela agressividade, pelo desrespeito ou pelo receio de expressar opiniões divergentes”.

Por isso, no seu discurso, Ossufo Momade apelou ao respeito pelos órgãos e símbolos do partido e pela opinião diferente. “O Conselho Nacional, a Comissão Política, os órgãos locais e os estatutos que nos regem não são formalidades, são o esqueleto que sustenta o corpo. Quem desrespeita os órgãos, desrespeita a vontade colectiva que os criou. As decisões tomam-se onde devem ser tomadas, com a franqueza que o debate exige, e depois cumprem-se com a disciplina que a causa exige”, defendeu o Líder da Renamo, em relação ao respeito aos órgãos do partido.

Quanto aos símbolos, disse o seguinte: “a nossa bandeira, o nosso hino, a nossa história e a nossa identidade não pertencem a nenhum indivíduo, a nenhuma facção, a nenhuma geração. Pertencem a todos os que lutaram, a todos os que sofreram e a todos os que continuam a acreditar. Usá-los para dividir e destruir esse patrimônio é trair a causa de todos nós, os vivos e os mortos que deram a sua vida”.

“Quem pensa diferente de mim não é meu inimigo. É meu colega do partido com outra perspectiva. Aprendamos a discordar sem humilhar, a criticar sem destruir e a vencer um argumento sem aniquilar uma pessoa. A tolerância que exigimos dos outros deve começar de nós mesmos. Companheiros, os cargos passam, mas a instituição prevalece. Nós somos passageiros e a Renamo é herança. Quem hoje ocupa uma posição amanhã será memória”, atirou.

Ossufo Momade defendeu o regresso “à nossa origem”. “Que cada um de nós deponha o orgulho ferido, que estenda a mão ao irmão de quem se afastou e que ponha, acima de tudo, o interesse superior do povo moçambicano. A reconciliação de que falamos para o país deve começar na reconciliação dentro de casa. Um partido que prega a paz tem de a praticar primeiro entre os seus”.

Refira-se que o grupo contestatário, que integra o antigo deputado António Muchaga, exige a demissão de Ossufo Momade da presidência do partido e a entrega imediata do poder à gente jovem, capaz de reconquistar a simpatia popular. (Carta)

 

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