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23 de February, 2026

Crise na Renamo: Ossufo Momade promete “vassourada” no partido

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“Já engolimos os sapos, mas chega!”. Este é o “basta” decretado por Ossufo Momade, Líder da Renamo, às sucessivas contestações à sua liderança, que levaram grupos de membros a tomarem de assalto as delegações distritais, provinciais e a sede nacional do partido, em protesto contra a sua gestão. O “chega” foi declarado no último sábado, num encontro realizado com os membros do partido, no distrito da Manhiça, província de Maputo.

Segundo o Presidente da Renamo, a onda de contestação à sua liderança ocorre porque o partido não mata ninguém, pois, na sua visão, noutras formações políticas, o cenário seria diferente. “Estão a fazer aquilo porque nós não matamos. Vai fazer aquilo na Frelimo? Estariam vivos? Estariam nas suas casas? Mas como não matamos, somos democratas e pacientes, estão a fazer aquilo. Mas já chega. Já engolimos os sapos. Os órgãos do partido vão trabalhar para que encontremos uma saída”, afirmou.

Momade, que lidera a “perdiz” desde Maio de 2018, após a morte de Afonso Dhlakama, primeiro como coordenador Interino e depois como Presidente (eleito em Janeiro de 2019 e reeleito em Maio de 2024), adverte que, caso o ex-deputado António Pedro Muchanga, suspenso da qualidade de membro do partido há quase duas semanas, não mude de atitude será expulso. Aliás, sublinha, não será o único a ser sancionado pelos órgãos do partido.

“Primeiro, ele foi chamado e foi advertido e continuou a fazer as suas brincadeiras. Se ele continuar, será expulso e isso vai ser decidido pelo Conselho Nacional. Vai ser sancionado. E nós não vamos parar. Além de Muchanga, vamos sancionar outros, porque estão a ocupar a nossa delegação. Aquele património é do partido”, defendeu Ossufo Momade, para quem a suspensão de António Muchanga foi decidida por um órgão competente.

“Se fosse o Presidente a tomar esse tipo de medida, estariam a dizer Ossufo mandou-nos embora, mas a decisão é dos órgãos do partido. Se eles são membros do partido, vão ter de voltar atrás e reflectir se o que estão a fazer é boa coisa ou estão a destruir o partido. Quando alguém leva problemas do partido para a rua significa que tem uma agenda contrária à do partido. Não é normal”, sustentou.

Ossufo Momade defende que a onda de contestação à sua liderança não é nova no partido e que os seus antecessores também ensaiaram o mesmo. “Esta onda não começou hoje, mesmo o presidente Dhlakama deixou esta confusão. Tivemos a junta de salvação. Como foi criado o PDD? O MDM? Foi através de confusão, através daqueles que não concordam, que não querem respeitar os nossos estatutos”, afirma.

“Não vamos conversar com um membro do partido. Queremos que esse membro entenda as regras do partido. Nós já chamamos atenção para o facto de que os problemas do partido são apresentados dentro do partido e não fora do partido. Nós não somos vândalos. Somos um partido organizado e que tem os seus estatutos”, acrescenta, proibindo os membros do partido de apoiar o movimento de recolha de assinaturas, liderado por um grupo de antigos combatentes da Renamo, com objectivo de forçar a realização do Conselho Nacional. Para ele, o referido movimento pode estar em processo de criação de um partido político.

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