O partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) submeteu, esta terça-feira, à Procuradoria-Geral da República (PGR), uma queixa-crime por alegada perseguição política, protagonizada por agentes da Polícia da República de Moçambique, com destaque para os da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) e da Polícia de Protecção.
Segundo o Secretário-Geral do ANAMOLA, Messias Uarreno, o partido tem acompanhado “uma onda clara de intimidação” dos seus membros, em quase todo o país, uma situação que, segundo disse, conta com o patrocínio dos Tribunais, “que prendem os nossos membros sem clareza”.
De acordo com o ANAMOLA, um dos casos mais recentes de perseguição política aconteceu no distrito de Luabo, na Zambézia, onde a UIR alegadamente assassinou dois membros daquela formação política (que desempenhavam funções de coordenadores), liderada pelo ex-candidato presidencial, Venâncio Mondlane.
“Prometemos dar entrada e já fizemos uma queixa-crime à Procuradoria. Esperamos que este processo seja seguido com muita seriedade. O ANAMOLA não permite que, num Estado Democrático, acções de perseguição e baleamento dos seus membros sejam consideradas normais. O nosso grande desafio é continuar a manter estes membros, conscientes de que o acto de violência não pode ser respondido com violência”, afirmou o político, revelando que, a nível das zonas rurais, “a população não está contente com estes procedimentos e tudo pode acontecer como resposta a estas situações”.
Assim, disse Uarreno, para evitar “más interpretações no futuro”, o ANAMOLA comunicou a situação às embaixadas acreditadas em Moçambique, assim como aos seus parceiros e aos financiadores da Comissão Técnica para o Diálogo Nacional “Inclusivo”.
“Foram assassinados dois membros de forma brutal, mas é preciso compreender que o ANAMOLA perde membros um pouco por cada província e nós estamos aqui para reafirmar que é preciso que se pare com essas perseguições políticas porque os números estão a tornar-se cada vez mais alarmantes e é preciso se ter a consciência desses actos”, defendeu o Secretário-Geral daquela formação política, convidando os seus opositores a desenvolver um ambiente pacífico de convivência e a não se deixar “iludir” pelos caminhos da violência porque “estes podem destruir a paz que, dia e noite, estamos a tentar manter e construir”.




