O Presidente da Renamo, Ossufo Momade, defendeu, esta quinta-feira, que o seu partido não aderiu aos protestos pós-eleitorais por respeito à vida dos moçambicanos. “Não foi por fraqueza que não aderimos àquelas manifestações. Mas, foi em defesa da vida de jovens, mulheres e homens que estavam sendo colocados em risco”, afirmou Momade, na abertura da II Sessão Ordinária do Conselho Nacional da Renamo, a primeira reunião do órgão desde as eleições de 09 de Outubro de 2024.
Segundo Ossufo Momade, o recolhimento da Renamo deveu-se à experiência vivida pelo partido, no ano de 2000, quando este saiu às ruas para reivindicar vitória nas eleições gerais de 1999. “Em 2000, foram barbaramente assassinados centenas de membros da Renamo, centenas foram condenados a penas de prisão elevadíssimas por conta do repúdio à fraude eleitoral de 1999”, afirmou.
O Presidente do ex-maior partido da oposição (perdeu o lugar para o PODEMOS), que diz ainda sentir “as feridas criadas pela fraude eleitoral”, afirma que o “compromisso genuíno” da “perdiz” é com a paz, estabilidade social e desenvolvimento, por isso a Renamo sempre apresenta o diálogo como mecanismo de resolução de qualquer conflito e divergência política.
“A nossa presença na mesa do diálogo [nacional e “inclusivo”] tem como objectivo ajudar a encontrar soluções que vão permitir o desenvolvimento e a criação de premissas para eleições livres, justas e transparentes”, diz Momade.
Lembre-se que as eleições gerais de 2024 foram as mais contestadas da história do país, tendo desencadeado uma revolta popular que durou cinco meses, que resultou na chacina de mais de 300 pessoas e na destruição de diversas infra-estruturas públicas e privadas. As manifestações pós-eleitorais foram convocadas pelo candidato independente Venâncio Mondlane, que reclamava vitória nas eleições presidenciais e do partido PODEMOS nas eleições legislativas.
De acordo com o Conselho Constitucional, a Renamo perdeu 42 lugares na Assembleia da República (passou de 60 para 28 deputados), tendo passado da segunda para a terceira maior força política do país. O estreante PODEMOS conquistou 43 lugares no Parlamento, tornando-se na segunda mais importante força política nacional.





