Enquanto o administrador do distrito de Mocímboa da Praia, Sérgio Cipriano, assegura que os profissionais de saúde estão em prontidão para prestar serviços sanitários básicos, a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou a suspensão temporária de todas as suas actividades médicas em Mocímboa da Praia, no norte da província de Cabo Delgado.
A organização explicou, em comunicado de imprensa, que abandona, de forma temporária, aquele ponto do país, devido ao agravamento da violência armada na região. Justifica ainda que a decisão foi tomada após uma série de ataques ocorridos este mês, que colocaram em risco a segurança de civis, profissionais de saúde e infra-estruturas médicas.
Segundo o Chefe de Operações da MSF, em Moçambique, Víctor García Leonor, citado no comunicado, a insegurança crescente está a limitar drasticamente o acesso da população aos cuidados de saúde essenciais. “Centenas de milhares de pessoas necessitam, urgentemente, de assistência médica e humanitária, em Cabo Delgado, mas a insegurança continua a impedi-las de obtê-la. Isto resulta em mortes e sofrimento que poderiam ser evitados”, afirmou.
De acordo com o comunicado, as actividades suspensas incluem serviços no pronto-socorro e maternidade do Hospital Rural, cuidados de emergência, apoio em saúde mental e acções comunitárias realizadas por agentes de saúde em áreas remotas. A MSF assegura que “alguns pacientes que necessitam de cuidados especializados foram transferidos para unidades sanitárias em Pemba e Mueda”.
Refira-se que esta não é a primeira vez em que a MSF interrompe operações na província de Cabo Delgado, este ano. A organização já havia suspendido actividades em outras zonas por curtos períodos, devido à insegurança. No comunicado, a organização humanitária internacional reitera o seu compromisso com a população de Cabo Delgado e afirma estar pronta para retomar as operações assim que a segurança for restabelecida.
A vila de Mocímboa da Praia, que já tinha registado o regresso de aproximadamente 200.000 pessoas, entre nativos e outros, foi alvo de ataques nas últimas semanas, que voltaram a colocar em causa a segurança na vila, que esteve nas mãos de terroristas entre Agosto de 2020 e Agosto de 2021.





