Ao fim de 67 dias após a investidura do novo Presidente da República, Moçambique assistiu, finalmente, ao primeiro aperto de mão entre o novo Chefe de Estado e o segundo candidato mais votado e rosto político dos protestos, com vista a pôr fim à crise política instalada no país desde Outubro passado.
O momento, considerado fundamental para devolução da estabilidade política e social do país, foi registado na noite deste domingo em um vídeo amador e em uma e única fotografia de ocasião partilhada pelo Gabinete de Imprensa da Presidência da República, tendo sido testemunhado pelo Bastonário da Ordem dos Advogados, Carlos Martins.
Em comunicado de imprensa divulgado esta madrugada, a Presidência da República explica que o encontro, realizado em Maputo e longe das câmaras e microfones dos jornalistas, visava discutir soluções face aos desafios que o país enfrenta e que se insere no esforço de promover a estabilidade nacional e “reforçar o compromisso com a reconciliação e a unidade dos moçambicanos”.
Segundo a Presidência da República, o encontro entre Daniel Chapo e Venâncio Mondlane reforça a necessidade de se aprofundar a reconciliação e consolidar um ambiente político estável, essencial para o desenvolvimento socioeconómico do país. “O diálogo entre as diversas forças políticas e sociais é um passo determinante para restaurar a confiança nas instituições e garantir um futuro harmonioso para todos os moçambicanos”, defende.
O comunicado refere ainda que a resolução da crise pós-eleitoral e o fortalecimento do Estado democrático “são metas prioritárias para garantir um país mais justo e inclusivo”, pelo que, diz o documento, o encontro entre o Chefe de Estado e o segundo candidato mais votado das eleições presidenciais de 09 de Outubro “simboliza a vontade de construir pontes e promover um diálogo aberto e construtivo”.
A nota, que não revela o que foi discutido no encontro, sublinha que “a disponibilidade para discutir soluções comuns representa ainda um avanço significativo na busca por um Moçambique pacificado, unido e comprometido com o progresso colectivo”.
Refira-se que o encontro entre Daniel Chapo e Venâncio Mondlane aconteceu 18 dias após a assinatura, em Maputo, do Compromisso Político para um diálogo nacional inclusivo entre o Presidente da República e líderes de nove formações políticas, um documento que define princípios e directrizes para um diálogo nacional inclusivo, abordando questões essenciais como a revisão constitucional e a governação.
Desde 15 de Janeiro passado que Daniel Chapo e Venâncio Mondlane vinham manifestando abertura para o diálogo, mas sem quaisquer avanços. Aliás, na última sexta-feira, Venâncio Mondlane divulgou o seu Programa de Governação “sombra”, no qual acusava o Chefe de Estado de estar a descartar “qualquer diálogo verdadeiramente honesto e inclusivo fundado no interesse nacional”.
“Pelo contrário, embarca numa tentativa de esvaziamento das propostas do manifesto vencedor, enquanto continua com as acções de repressão e supressão de oponentes, aliadas a um esforço sem disfarce de cooptação de parte da oposição política para um diálogo enganador, visando somente colher a simpatia da comunidade internacional”, disse.