Pelo menos 200 famílias da zona residencial de Muave, na cidade da Beira, capital provincial de Sofala, estão sem abrigo, desde esta quarta-feira, na sequência da demolição das suas habitações pelas autoridades municipais. Trata-se de famílias que alegadamente ergueram suas habitações numa área protegida, pertencente ao Aeroporto Internacional da Beira.
Os moradores, que condenaram a decisão do Conselho Municipal da Beira, reclamam ainda a falta de um aviso prévio antes da operação de demolição, ao mesmo tempo que lamentam ausência de uma alternativa para começar nova vida.
As autoridades justificam a intervenção com a necessidade de garantir o cumprimento da legislação, proteger a área aeroportuária e salvaguardar a segurança da navegação aérea. Num comunicado divulgado na sua página oficial do Facebook, o Conselho Municipal da Beira esclareceu que a ocupação ilegal de talhões na zona de Muave constitui um obstáculo à implementação do Plano de Ordenamento Territorial do município.
A edilidade afirma que a operação, levada a cabo pelos Serviços Municipais de Fiscalização e pela Polícia Municipal, foi desencadeada em conjunto com os Serviços de Geografia e Cadastro, a Polícia Comunitária, a Electricidade de Moçambique e a Polícia da República de Moçambique, com o objectivo de repor a legalidade e garantir o ordenamento urbano.
No entanto, a edilidade revela que, na fase final da operação, registou-se um impasse que impediu a demolição da última construção supostamente por impedimento do comandante da 13.ª Esquadra da PRM, o que condicionou a continuidade dos trabalhos. (Carta)





