A economia moçambicana cresceu 1,7% no segundo trimestre, acima dos 0,1% registados entre Janeiro e Março, apesar das cheias que levaram o Governo a reduzir para 0,59% a previsão de crescimento para este ano.
O resultado divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) prolonga uma recuperação iniciada no final de 2025. A economia cresceu 5,1% no quarto trimestre do ano passado, depois de quatro trimestres consecutivos de contracção.
São agora três trimestres seguidos de crescimento. A aceleração entre Abril e Junho ocorreu num período em que o Governo esperava um desempenho mais fraco da economia devido aos efeitos das inundações do início do ano.
Em Julho, o Executivo reduziu de 2,8% para 0,59% a previsão de crescimento para 2026. Justificou a revisão com as cheias de Janeiro, que afectaram cerca de 724 mil pessoas nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica e Zambézia.
O Governo aprovou também um Plano Global de Recuperação e Reconstrução pós-cheias avaliado em 102 mil milhões de meticais. O programa destina-se à reconstrução das zonas afectadas, recuperação dos meios de subsistência e reforço da capacidade de resposta a futuros desastres.
Os serviços deram o maior contributo para o crescimento no segundo trimestre. O sector terciário avançou 2,5%, impulsionado sobretudo por Hotéis e Restaurantes, que cresceram 14,5%. Os Serviços Financeiros aumentaram 4,2%.
O Comércio e Serviços de Reparação cresceu 1,2%, enquanto Transportes, Armazenagem, Informação e Comunicações avançaram 0,7%.
O sector primário expandiu-se 1,8%. A Agricultura, Pecuária, Caça, Silvicultura e Exploração Florestal cresceu 2% e a Indústria Extractiva 1,7%. A Pesca recuou 1,1%.
A indústria apresentou um resultado diferente. O sector secundário contraiu 6%, devido sobretudo à queda de 11,2% da Indústria Transformadora. Electricidade, Gás e Distribuição de Água cresceu 7,1% e a Construção 0,8%.
O consumo final aumentou 7,9%, sustentado por crescimentos de 8,4% no consumo privado e de 6,5% no consumo público. As exportações avançaram 5,1% e as importações 3,1%.
A formação bruta de capital caiu 16,5%, devido à redução das existências em relação ao mesmo período de 2025.
Os dados do segundo trimestre colocam a economia acima do ritmo observado no início do ano, mas não alteram, por enquanto, a previsão oficial de crescimento de 0,59% para 2026.





