Cerca de 60% das empresas instaladas no Parque Industrial de Beluluane, na província de Maputo, já não prestam serviços à Mozal, a maior fundição de alumínio de África, actualmente em impasse com o Governo sobre a tarifa de energia eléctrica, matéria-prima fundamental para o seu funcionamento.
A revelação foi feita pelo director-geral do Parque Industrial de Beluluane (MozParks), Onório Boane, durante a apresentação das potencialidades da província de Maputo na FACIM (Feira Internacional de Negócios), que decorre desde segunda-feira no distrito de Marracuene.
“Este parque inicialmente estava focado em hospedar empresas que produzem peças para a Mozal. Depois de um certo tempo, o parque diversificou-se. Hoje, apenas 40% das empresas que estão lá é que servem à Mozal”, afirmou Boane.
De acordo com Boane, a maioria das empresas hoje instaladas actua em sectores voltados para a indústria de exportação e para o mercado doméstico, o que demonstra que a sobrevivência do parque já não depende exclusivamente da Mozal.
Actualmente, o Parque de Beluluane alberga mais de 60 empresas de 20 países, gerando cerca de 12 mil postos de trabalho, dos quais 8 mil estão ligados a actividades fora da cadeia de fornecimento da Mozal.
Numa altura em que se discute a sustentabilidade da Mozal em Moçambique devido ao debate sobre os custos da energia eléctrica, Boane deixou uma reflexão sobre o futuro dos grandes projectos industriais no país. “A pergunta que eu quero colocar é a seguinte: se, por ventura, a Mozal fechar, o parque continua ou não continua? Não precisamos responder, é apenas uma reflexão”, disse.
Para o responsável, a experiência de Beluluane mostra a importância de ligar mega-projectos a parques industriais, permitindo o desenvolvimento de cadeias de valor locais e a criação de empregos sustentáveis. “Por si só, um grande projecto isolado não consegue gerar todos os efeitos desejados. É preciso ter um parque industrial associado, que diversifique e dinamize a economia”, sublinhou.
De acordo com a fonte, o caso de Beluluane é apontado como exemplo de resiliência industrial, sobretudo quando comparado a outros mega-projectos no país que não criaram cadeias de fornecedores locais e acabaram por deixar um vazio económico. “Aqui temos um parque que soube diversificar-se. Não é o que temos noutras regiões, onde praticamente os projectos ficaram isolados e não conseguiram catapultar oportunidades para a economia nacional”, concluiu Boane.
O presidente do MozParks, Adrian Frey, salientou ainda que a força de Beluluane reside hoje não só na diversificação, mas também na sua independência energética. Tal foi possível graças ao Projecto Energético de Beluluane da EDM, inaugurado em 2024 através da parceria entre a EDM e o Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), com um forte apoio do Governo de Moçambique.
O projecto garante um fornecimento de energia estável e sustentável ao parque, tornando-o menos dependente de uma única empresa âncora e posicionando Beluluane como um modelo de crescimento industrial na região.
“Graças à visão do nosso Governo e ao apoio do KfW, o Parque Industrial de Beluluane goza hoje de uma verdadeira independência energética, que permite às nossas empresas expandir, diversificar e competir internacionalmente. Este projecto deu ao parque a base para um sucesso a longo prazo”, disse Adrian Frey.




