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8 de September, 2022

Pela primeira vez, Reino Unido terá ministros negros para as Finanças e Relações Exteriores

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A nova primeira-ministra britânica Liz Truss anunciou, esta terça-feira (6), o seu governo, em que, pela primeira vez, nenhum homem branco ocupará um dos quatro cargos ministeriais mais importantes do país. Truss nomeou Kwasi Kwarteng, filho de imigrantes ganeses, como o novo ministro das Finanças, enquanto James Cleverly foi nomeado como ministro das Relações Exteriores. É a primeira vez que tais ministérios são dirigidos por ministros negros.

 

Deputado desde 2010, Kwarteng é um activista radical de mercado livre e ex-porta-voz empresarial do governo. Nascido no nordeste de Londres, de pais ganenses, ele será o primeiro ministro negro em toda a história do Reino Unido. Ele é um aliado de longa data de Truss desde que entraram juntos na Câmara dos Comuns em 2010.

 

Kwarteng vai segurar as cordas da bolsa e desempenhar um papel fundamental na forma como o governo escolhe lidar com a crise do custo de vida que o país está a enfrentar actualmente.

 

Já James Cleverly, de 53 anos, é filho de mãe negra de Serra Leoa e pai branco da Grã-Bretanha. No passado, ele chegou a falar sobre como sofreu bullying (vexame) por ser uma criança negra de pele clara e teceu críticas ao Partido Conservador do Reino Unido, declarando que era preciso fazer mudanças para atrair votos da comunidade negra.

 

 

Outro destaque é Suella Braverman, que vai chefiar o Ministério do Interior. O posto será ocupado, pela segunda vez, por uma mulher de minoria étnica. Conhecida por suas posições ultraconservadoras, Braverman possui pais de origem indiana.

 

A crescente diversidade entre os representantes do Partido Conservador se deve em parte a uma pressão interna nos últimos anos. Até algumas décadas atrás, os governos britânicos eram compostos principalmente por homens brancos.

 

 

Apesar das novas posições ocupadas por negros, especialistas dizem que as pautas relacionadas às políticas de identidade não devem ganhar maior destaque no governo conservador, a exemplo do novo ministro. “Kwarteng quer ser julgado pelo conteúdo do seu carácter, habilidades e experiência, e não por sua raça”, disse um funcionário do governo que trabalhou com o político. “Ele não gosta das coisas da política que estejam relacionadas à identidade.”

 

 

Filho único, Kwarteng começou o ensino na escola pública, mas aos oito anos foi enviado pelos pais para frequentar a escola preparatória independente Colet Court.

 

 

Ele foi um grande realizador, recebendo o Harrow History Prize em 1988 – um prémio que George Orwell perdeu uma vez – e logo ele foi para o Eton College como King’s Scholar, o que significa que ele recebeu uma bolsa de estudos devido aos seus impressionantes resultados nos exames.

 

 

A proeza académica de Kwarteng cresceu, ganhando a prestigiosa Newcastle Scholarship de Eton – o melhor desempenho numa semana de exames escritos – e o seu próximo passo foi Cambridge, depois de uma entrevista, é claro. Kwarteng foi para a Universidade de Harvard nos EUA com mais uma bolsa de estudos, antes de retornar a Cambridge para estudar para um doutorado em história económica.

 

 

No entanto, a sua primeira carreira foi como jornalista, escrevendo colunas para o Daily Telegraph, antes de ser atraído pela cidade e ocupar cargos de analista financeiro em empresas como JP Morgan. Kwarteng foi um defensor apaixonado da saída da UE e juntou-se à campanha.

 

 

Mas foi o seu apoio a Boris Johnson para se tornar líder do Partido Conservador que garantiu a sua promoção política. Essa rápida ascensão na hierarquia não impediu Kwarteng de causar controvérsia.

 

 

Na véspera do resultado da eleição da liderança conservadora, Kwarteng escreveu um artigo no Financial Times prometendo que o governo de Truss se comportaria “de maneira fiscalmente responsável” enquanto os ministros buscam aliviar o peso da crise do custo de vida. (Carta)

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