O Governo moçambicano garantiu, esta terça-feira, que o preço dos combustíveis manter-se-á inalterado, em todo o país, pelo menos até ao início do mês de Maio, apesar do conflito que se regista no Médio Oriente há 12 dias, opondo Irão e a dupla Israel e Estados Unidos da América. A garantia foi dada pelo Secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, no fim da VII Sessão Ordinária do Conselho de Ministros.
Segundo Amílcar Tivane, o país dispõe, neste momento, de reservas de combustíveis para os próximos dois meses e sem alteração do preço, porém, o custo pode elevar-se em Maio, se a guerra continuar a encarecer o petróleo no mercado internacional. O impacto da guerra no Médio Oriente foi um dos temas discutidos ontem pelo Governo.
Lembre-se que a guerra no Médio Oriente teve seu início no dia 28 de Fevereiro, com Israel e Estados Unidos da América a lançarem misseis contra o Irão, que culminaram com a morte do Líder Supremo iraniano, Ali Khamenei, facto que levou aquele país islâmico a retaliar, atacando cidades israelitas e bases militares norte-americanas instaladas no Médio Oriente.
Ainda na sequência dos ataques militares norte-americanos, o Irão bloqueou o Estreito de Ormuz, responsável pelo escoamento diário de quase um quinto (20%) do petróleo vendido no mundo, impedindo a passagem de navios carregados de gás e petróleo. De acordo com a Al Jazeera, até terça-feira, a guerra no Médio Oriente já tinha causado a morte de 1.255 pessoas no Irão e 11 em Israel, havendo ainda dezenas de vítimas mortais noutras nações do Golfo Pérsico.
Segundo o Secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, cerca de 80% das importações de combustíveis para Moçambique passam por rotas ligadas ao Estreito de Ormuz. “Por isso que a duração e intensidade do conflito poderá ter impactos diferenciados dependendo de cada país amortecer os prejuízos. Entretanto, para o contexto nacional, é importante frisar que o país dispõe neste momento de capacidade para suprir as necessidades de consumo interno de combustíveis. Neste momento, o país dispõe de 75 mil toneladas de diferentes combustíveis sem alteração de preço até princípios de Maio”, assegurou Tivane.
Na conferência de imprensa concedida no fim da reunião do Governo, Amílcar Tivane deu a entender que, após o stock das encomendas feitas nos últimos dois meses acabar, o custo de combustíveis poderá aumentar. Entretanto, anunciou medidas que o Governo tem vindo a equacionar tomar para reduzir o impacto. Destacou a possibilidade de activação de um fundo de estabilização que permita a reposição das perdas por parte dos importadores e distribuidores de combustíveis, numa altura em que os preços no mercado nacional estejam abaixo dos preços internacionais.
O governante disse ainda que o Governo tem estado a estudar medidas para minimizar o impacto do conflito em caso de aumento da tarifa de transporte e preço do cabaz de bens de primeira necessidade. Segundo Tivane, nos próximos dias, o Executivo vai levar a cabo acções para acelerar o desalfandegamento de 85 mil toneladas de combustíveis em diferentes terminais oceânicos em todo o país, para evitar a ruptura de stocks, bem como estudar rotas alternativas para a importação dos combustíveis.
Numa outra vertente, o Secretário de Estado do Tesouro e Orçamento apresentou possíveis impactos da guerra no crescimento económico do país. “Os impactos para o crescimento económico vão depender da intensidade e duração do conflito. Entretanto, num cenário moderado, as Micro, Pequenas e Médias Empresas (desde a agricultura, indústria transformadora e transporte), poderão ser afectadas, se os preços do petróleo no mercado internacional atingirem os 120 dólares americanos por barril”, alertou Tivane.
Além disso, o Secretário de Estado do Tesouro e Orçamento vincou que, se o conflito no Médio Oriente continuar forte e por um longo período, a recuperação da economia depois das manifestações pós-eleitorais poderá recuar. “No cenário extremo, o crescimento da economia moçambicana poderá ser negativo, se o preço do barril de petróleo no mercado internacional ultrapassar os 140 dólares americanos”, disse o governante.
Dados do Trading Economics indicam que o preço do petróleo bruto Brent aumentou quase 15% para cerca de 85 USD por barril na última terça-feira, após dispararem para quase 120 USD na semana anterior, enquanto líderes globais sinalizavam disposição para intervir e limitar o impacto da guerra no Irão nos mercados de energia.
Entre os líderes mundiais empenhados está o Presidente dos EUA, Donald Trump, que procurou tranquilizar os mercados, afirmando que “renunciaria a certas sanções relacionadas ao petróleo e enviaria a marinha dos EUA para escoltar petroleiros através do Estreito de Ormuz”, para além de que “estava aberto a conversas com o Irão”, de acordo com a fonte.
Segundo o Trading Economics, apesar da queda acentuada, os preços do petróleo permanecem mais de 50% mais altos este ano, em meio a temores de que os suprimentos do Oriente Médio possam ser severamente interrompidos, após vários grandes produtores da região reduzirem a produção em milhões de barris por dia, à medida que o conflito prejudica as exportações e a logística.





