A Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) prepara um sistema de negociação, uma plataforma electrónica sofisticada, segura e automatizada, que permite o encontro de ordens de compra e venda de activos (como acções) entre investidores. Ele regista ofertas, cruza preços automaticamente e garante a execução rápida e transparente das transacções.
“Se tudo correr bem até ao fim do ano, teremos um sistema de negociações. Com ele, os moçambicanos vão poder comprar acções noutros mercados. Com um telemóvel, a pessoa vai poder comprar ou vender acções de forma rápida e segura, sem precisar de se deslocar a um banco, cumprir filas e burocracia”, disse, há dias, o Presidente do Conselho de Administração da BVM, Pedro Cossa.
O PCA não avançou o valor a ser investido por aquela empresa pública para aquisição do sistema. Entretanto, ciente das especificidades da plataforma, o gestor disse que será importado. “Infelizmente nenhuma empresa moçambicana estaria em condições de fornecer sozinha. As empresas têm de se associar a outras existentes no mundo para garantir que tragam um sistema robusto capaz de cumprir os requisitos de um mercado normal”, disse Cossa.
O objectivo central desse sistema é proporcionar um ambiente justo e eficiente para a troca de activos, garantindo que o preço seja definido pela oferta e procura em tempo real. Devido ao excesso de burocracia e algum desinteresse da banca nesse tipo de negócios, alegadamente por ser menos rentável, o PCA da BVM deu a entender que o processo de venda ou compra de acções é actualmente moroso.
“Imagine alguém que vai ao banco, dá uma ordem de venda de acção, o balcão manda a ordem para a sala de mercado, daqui insere-se no sistema. Nesse processo de balcão até à sala de mercado, o sistema já fechou. Vamos supor que ele deu a ordem de 10 Meticais, mas nesse dia a ordem baixou para 7.5 Meticais, logo já não pode vender porque a acção baixou 25% e tem de esperar a acção valorizar-se. Este processo todo é muito complicado”, explicou Cossa.
Falando a jornalistas, Cossa anunciou ainda que a BVM foi admitida este ano à Federação Mundial das Bolsas de Valor, embora como membro afiliado e não efectivo porque há uma série de requisitos que deve cumprir, um dos quais é ter um sistema de negociação funcional e que esteja ligado à Central de Valores Mobiliários, entre outras regras.
“É um ganho para o nosso país porque em África só fazem parte da Federação seis bolsas. Fizemos um trabalho e conseguimos que a Federação admitisse a BVM. Deram-nos três anos para melhorar o nosso mercado. De forma regular, a Federação irá mandar auditores para fazer o acompanhamento”, frisou o PCA da BVM.
Normalmente, as bolsas de valores que congregam a Federação Mundial das Bolsas são tidas como aquelas que mais cumprem com regras mais elementares, como compliance, avaliação de risco, sistemas fidedignos e que partilham informação em tempo real.





