Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

16 de February, 2026

Governo tem um trunfo na manga sobre MOZAL?

Escrito por

O Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, assegura que o Governo está a fazer de tudo para que a MOZAL não seja encerrada, mas, a seguir a estas garantias, a South32, accionista principal da fundição, reiterou que a sua saída do empreendimento é irreversível.

“Há discussões sobre o assunto. O Governo está a fazer tudo o que é necessário para garantir que a fábrica não entre em manutenção”, disse, na segunda-feira (09), Pale, questionado pelos jornalistas, à margem da conferência “Mining Indaba”, na cidade do Cabo, África do Sul.

Mas já na sexta-feira (13), o Director-executivo da multinacional australiana South32, Graham Kerr, reiterou que a companhia vai retirar-se da Mozal. “Passará para o regime de manutenção e conservação em Março de 2026, devido à impossibilidade de garantir um fornecimento de energia eléctrica suficiente e acessível. Estamos a trabalhar em estreita colaboração com os nossos funcionários e parceiros nessa transição”, afirmou Kerr, durante a apresentação dos resultados do grupo. Na ocasião, o gestor avançou que a decisão é definitiva.

Não vamos ceder à chantagem

Fonte do executivo moçambicano assegurou à “Carta” que Maputo vai manter-se “firme” em relação à negociação de novos termos contractuais, que giram em torno do preço de energia que a Mozal deve pagar para manter a fundição a produzir alumínio.

“A intransigência da South32 é de uma empresa que já ganhou muito dinheiro cá e que quer reorientar a sua estratégia de negócios. Para essa empresa, tanto faz se fica ou vai embora e face à posição do Governo, da HCB e da ESKOM, prefere retirar-se da Mozal e deixar o ónus com o Governo”, enfatizou a fonte.

Garantiu que tudo está a ser feito para se encontrar uma alternativa à South32, sem avançar nomes sobre o potencial substituto do actual accionista maioritário da empresa. A fonte avançou que o contexto de maiores benefícios para as multinacionais, em que a Mozal começou a operar em Moçambique, em 2000, mudou radicalmente e impõe-se que o país retenha vantagens mais tangíveis com a actividade empresarial do grande capital no país.

Custo social

Como consequência da desmobilização da South32, a Mozal já começou o processo de rescisões contractuais com os pouco mais de 1.900 trabalhadores da fundição, ao mesmo tempo em que as 30 empresas que prestam serviços e bens à empresa também estão a despedir cerca de 5.000 trabalhadores que estavam vinculados a essas unidades produtivas.

A administração da South32 anunciou, em Dezembro, que a Mozal irá suspender actividades, entrando em manutenção, a partir de 15 de Março de 2026, face à falta de um novo acordo de fornecimento de electricidade.

“Não foi assegurado um novo acordo de fornecimento de electricidade e a Mozal será colocada em manutenção e conservação por volta de 15 de Março de 2026. Consequentemente, as matérias-primas necessárias para sustentar as operações após março de 2026 não foram adquiridas”, anunciou a empresa, na altura.

A companhia disse que continuava a dialogar com o Governo, a HCB) e a energética sul-africana Eskom para garantir o fornecimento de “electricidade suficiente e acessível” até à suspensão em Março, quando o acordo actual de fornecimento de energia expira.

“Ao longo das nossas negociações, salientámos que a capacidade da Mozal para continuar a operar dependia da garantia de electricidade suficiente a um preço que permitisse à fundição manter a sua competitividade internacional. Infelizmente, as partes permaneceram num impasse quanto ao preço adequado para electricidade, o que foi agravado pelas condições de seca que afectam o fornecimento de electricidade da HCB”, disse então Graham Kerr, citado no comunicado.

Admitiu que o anúncio então feito era “difícil” para a equipa da empresa e vai também ter impacto nos fornecedores, clientes, comunidades e outros interessados: “Compreendemos que o anúncio de hoje é difícil para a nossa equipa na Mozal e estamos empenhados em apoiá-los ao longo deste processo”.

South32 disse que o custo de manutenção, incluindo rescisão de contractos, ronda 60 milhões de dólares  e os custos anuais contínuos de manutenção e conservação cerca de cinco milhões de dólares. Acrescentava que a previsão de produção para o ano fiscal de 2026 da Mozal, até Março, mantinha-se em 240 mil toneladas.

A Mozal compra quase metade da energia produzida em Moçambique – essencialmente pela HCB – e tem um peso estimado de pelo menos 3% do PIB. Em 18 de agosto, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou que as tarifas de energia propostas pela Mozal levariam ao colapso da HCB, reagindo já então à ameaça de encerramento.

O fornecimento de electricidade à Mozal é feito através da Eskom, que por sua vez compra energia à HCB – 66% do total produzido em 2024 –, mas o Governo pretende reverter este cenário.

Visited 910 times, 1 visit(s) today

Sir Motors

Ler 703 vezes