O ano económico de 2024 da Rede Viária de Moçambique (REVIMO) foi marcado por queda de lucro, devido, principalmente, às manifestações pós-eleitorais que se assistiram desde o mês de Outubro e que se estenderam até ao mês de Março deste ano. A empresa registou um resultado líquido de 54,7 milhões de Meticais, uma redução em 65% face ao resultado líquido realizado no ano de 2023.
A informação consta do Relatório e Contas da REVIMO referente ao exercício económico findo a 31 de Dezembro de 2024. O documento explica que o resultado da empresa foi adversamente afectado pelos eventos naturais extremos ocorridos no primeiro trimestre e, principalmente, pelas manifestações pós-eleitorais que afectaram o país desde o quarto trimestre.
“Estas acções resultaram em prejuízos acumulados e perda de receita, até ao fecho do ano, estimados em 211 milhões de Meticais. A situação acima descrita obrigou a Empresa a interromper as operações de cobrança em 13 das 16 portagens sob sua gestão, devido à falta de condições para a cobrança (segurança e infra-estruturas), o que, por sua vez, afectou 418 colaboradores directos da REVIMO, SA, e 1.004 colaboradores indirectos de empresas subcontratadas, na sua maioria jovens”, lê-se no Relatório e Contas da empresa.
Além das manifestações pós-eleitorais, a REVIMO aponta o maior esforço financeiro decorrente do aumento dos custos de manutenção e conservação das infra-estruturas, em particular o início da implementação do projecto de manutenção especializada da Ponte Maputo-Katembe.
Por consequência desses eventos, o resultado líquido do exercício situou-se em 54.7 milhões de Meticais, que representa um decréscimo, na ordem de 65.4%, comparando com o ano de 2023, em que a empresa registou 158 milhões de Meticais.
Contudo, o balanço da empresa mostra que os activos totais cresceram de 11.9 mil milhões de meticais para 12.2 mil milhões de meticais, que representa um crescimento na ordem de 2.52%. Os fundos próprios aumentaram de 1.195 mil milhões para 1.199 mil milhões de meticais, que representa um crescimento de 0.33%. Relativamente aos passivos, do ano anterior para o ano corrente, estes cresceram de 2.6 mil milhões de meticais para 3.2 mil milhões de meticais, correspondente a 24.7%.
Os principais desafios para 2025 passam por retomar as operações de cobrança nas portagens suspensas, o que irá requerer investimentos de reparação das infra-estruturas vandalizadas, melhorar os níveis de serviço por via da intensificação das actividades de manutenção e conservação da infra-estrutura viária, maior aposta na comunicação com os utentes, bem como nas relações com as comunidades através de iniciativas de responsabilidade social.
A REVIMO é uma sociedade anónima, moçambicana, de direito privado, com sede em Maputo, que tem por objecto principal a construção, conservação e exploração, sob sistema de portagens, de estradas e pontes e suas infra-estruturas conexas, construídas ou por construir. A sociedade poderá igualmente desenvolver, participar e explorar outras áreas de interesse e de rentabilização da sua operação.
Actualmente, estão sob gestão da REVIMO as estradas: N6 (Beira-Machipanda), com 287 Km; Circular de Maputo com 71,4 Km, incluindo a extensão da estrada Marracuene-Macaneta com 12 km; Ponte Maputo-KaTembe e as Estradas de ligação com 187 Km.
Desde 2021 também estavam sob gestão da empresa as estradas R453: Macia – Praia do Bilene com 38,5 km; N101: Macia – Chókwè com 61,7 km; e R448: Chókwè – Macarretane com 21,8 km. Contudo, na semana passada, o Governo anunciou que a REVIMO deixaria de gerir as infra-estruturas por baixo volume de tráfego de veículos e prejuízos avultados na arrecadação de receitas.





