O Presidente da República (PR), Daniel Chapo, lançou esta segunda-feira (25), na 60ª Edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), o Fundo de Garantia Mutuária, criado pelo Governo de Moçambique com financiamento do Banco Mundial em cerca de 40 milhões de USD na primeira fase. O instrumento poderá beneficiar 15 mil pequenas e médias empresas. O acto acontece depois do lançamento do Fundo de Recuperação Económica e do Fundo de Desenvolvimento Económico Local.
Intervindo na ocasião, Chapo disse que o lançamento do Fundo resulta das preocupações recorrentes do sector empresarial privado no acesso ao financiamento. “Sabemos que a falta de colaterais e as altas taxas de juro têm sido barreiras quase intransponíveis para as pequenas e médias empresas, que representam o coração do tecido empresarial nacional, daí a criação deste fundo, especificamente dedicado às pequenas e médias empresas, porque fazem 90 por cento da dinamização da nossa economia, da geração de renda, do emprego, principalmente para a juventude”, afirmou o Chefe de Estado.
Segundo o PR, a escolha da FACIM como palco para este lançamento não é casual, deve-se ao facto de ser a maior e mais importante montra promocional do país. Assegurou o empenho do seu Governo na massificação do acesso ao Fundo, com vista a viabilizar o financiamento às empresas nacionais, em particular as pequenas e médias empresas.
“Este instrumento não é apenas um mecanismo financeiro. É uma ponte para a retoma da economia moçambicana. Contamos que com estes 40 milhões de dólares norte-americanos sejam financiados cerca de 15 mil pequenas e médias empresas, na sua maioria de jovens. É uma oportunidade de transformar sonhos da nossa juventude em negócios e ideias em emprego para os jovens, afirmou o estadista.
Na ocasião, foram assinadas as primeiras garantias pela Ministra das Finanças, Carla Louveira, a Presidente do Conselho de Administração da Sociedade Gestora, Ana Beatriz Freitas e representantes dos bancos moçambicanos, nomeadamente, o Absa, BCI e Standard Bank Moçambique.
Na cerimónia de abertura da 60ª Edição da FACIM, Chapo testemunhou a premiação de 23 empresas exportadoras que mais se destacaram em 2024, bem como o maior investidor no período 2023-2024, por sector de actividade.
Dos premiados, o destaque vai para Vulcan Resources, como maior exportador para grandes projectos; Sociedade Algodoeira de Namialo, como maior exportador do sector agrícola; Pescamar Limitada, como maior exportador pesqueiro; JSPL Mozambique Minerals, como maior exportador do sector mineiro.
As empresas Hidroeléctrica de Cahora Bassa, Mozal, Midal Cables, Electricidade de Moçambique, Sasol, Kenmare receberam prémios na categoria de maior exportador para mercados preferenciais, como União Europeia, África Austral, Índia e Estados Unidos da América. Na categoria de maior, pequena e média empresa exportadora do sector agrícola, foi premiada a Sociedade Algodoeira de Mutual.
Segundo o Chefe de Estado, estes prémios representam mais do que números e contratos, mas também histórias de visão, de resiliência e de coragem. “Representam o esforço de empresários que acreditaram em Moçambique, arriscaram, inovaram e abriram novos mercados, apesar de todas as adversidades: cheias, inundações, ciclones, Covid-19, manifestações violentas pós-eleitorais que destruíram bens públicos e privados. Estas empresas continuam firmes a confiar neste grande Moçambique”, frisou Chapo.
Reagindo ao lançamento do Fundo de Garantia Mutuária, o Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, disse que o instrumento vai sem sombra de dúvidas melhorar a vida das pequenas e médias empresas. “A assinatura do acordo do Fundo de Garantia Mutuária permitirá que as pequenas e médias empresas que tenham dificuldades de conseguir colaterais para os seus empréstimos recorram ao fundo para se financiar e assim desenvolver as suas actividades”, afirmou Massingue.
A 60ª edição da FACIM decorre sob o lema, “Promovendo a Diversificação Económica rumo ao Desenvolvimento Sustentável e Competitivo de Moçambique”. Acolhe 2.350 expositores nacionais, vindos de todas as províncias de Moçambique; 800 expositores estrangeiros, representando 30 países; e espera receber 70.000 visitantes, durante toda a semana.
Olhando para esse número de expositores, o Presidente da CTA disse haver espaço para que as empresas interajam, façam negócios e firmem compromissos para negócios. Para o efeito, apelou ao empresariado nacional para que seja “agressivo” a fim de convencer os parceiros externos a investir em Moçambique.





