A Comissão Consultiva de Importações (CCI) vai propor ao Governo medidas para travar a entrada “desregrada” em Moçambique de produtos de cerâmica, como azulejos e tijoleiras, que levou ao encerramento de uma linha de produção da Safira Mozambique Ceramic e ao desemprego de 700 trabalhadores, anunciouaquela entidade.
A proposta de uma intervenção estatal foi avançada na segunda-feira (16) pelo secretário de Estado do Comércio, António Grispos, em declarações aos jornalistas, após uma reunião com os representantes da Safira e uma visita às instalações da fábrica, no distrito de Moamba, província de Maputo.
“Esta visita hoje à Safira é feita na qualidade de presidente da Comissão Consultiva de Importações, para avaliar o impacto que a Safira está a enfrentar com a importação desmesurada e desregrada de produtos de cerâmica. Realçar que eles têm uma linha de produção fechada, neste momento, muitos milhões de metros quadrados [unidade de medição de material de construção], que deixaram de ser produzidos”, afirmou Grispos.
Na sequência do fecho da aludida unidade de produção, 700 trabalhadores perderam emprego e tantos outros trabalhadores indirectos também deixaram de ter o seu ganha-pão, frisou.
“São factores diversos que têm estado a pôr em causa a sobrevivência de famílias, foi feito aqui investimento e temos que olhar para isto”, enfatizou António Grispos.
Sobre o tipo de medidas que serão propostas ao Governo, para proteger a indústria moçambicana de cerâmica, Grispos não entrou em detalhes, mas adiantou que serão em linha com a política de restrições de importações de produtos que podem ser produzidos localmente.
“Moçambique adoptou já as medidas para restrições temporárias de importações, para proteger a produção que existe localmente. São medidas para impulsionar a produção local”, destacou o secretário de Estado do Comércio.
“Com certeza, a comissão está em condições de tomar uma decisão conscienciosa, de modo a não prejudicar o produtor, mas, acima de tudo, para alavancar a produção nacional. Há uma série de medidas que o Governo pode tomar em conta. […] pode ser através da subida da sobretaxa nas importações, de 7,5% para 20%”, admitiu António Grispos.
Grispos sublinhou que a protecção da indústria local também visa impedir que Moçambique importe produtos que podem ser gerados no país.
Criticou o facto de os moçambicanos terem de comprar no estrangeiro bens como “palitos de dentes ou água”, enquanto é possível produzir localmente.
Sobre o processo de criação da Zona Económica Especial em Moamba, na zona onde está instalada a Safira Mozambique Ceramic, António Grispos frisou que os passos subsequentes para essa transição dependem de outras entidades do Estado.
A Safira Mozambique Ceramic é detida pelo grupo chinês Wang Kang Safira e entrou em funcionamento em Setembro de 2024, tendo sido investidos 124 milhões de dólares, para a operacionalização do empreendimento, um dos maiores de África no sector.
A fábrica foi projectada com capacidade de produção diária de 100 mil metros quadros de cerâmica.





