A Polícia Judiciária (PJ) e o Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses de Portugal concluíram que o administrador financeiro do Banco Comercial e de Investimentos (BCI) Pedro Ferraz Reis tirou a sua própria vida, não tendo sido vítima de homicídio, disse hoje o inspector Sérgio Martins.
“As conclusões alcançadas pelo Sernic, Medicinal Legal de Moçambique, pela Polícia Judiciária e pelo Instituto de Medicina Legal de Portugal, apontando de forma fundamentada para uma causa de morte suicida, reflectem e resultam de um esforço técnico e científico rigoroso assente na análise exaustiva de prova”, afirmou Martins.
Aquele quadro da PJ portuguesa falava em Maputo durante uma conferência de imprensa sobre os resultados das investigações realizadas por uma equipa conjunta composta por elementos das autoridades judiciais moçambicanas e daquele país europeu à morte de Pedro Ferraz Reis, encontrado sem vida no dia 19 deste mês no Hotel Polana, em Maputo.
O trabalho conjunto “permitiu o melhor esclarecimento dos factos, permitindo, assim, a realização da justiça e reforçando a confiança dos cidadãos nas suas instituições”, sublinhou.
O inspector Sérgio Martins avançou que a Polícia Judiciária e o Instituto Nacional de Medicina Legal e de Ciências Forenses reconhecem e agradecem as autoridades moçambicanas pela abertura, a disponibilidade e o apoio prestado pela Procuradoria da República de Moçambique, Sernic e pelo serviço de Medicina Legal do Hospital Central de Maputo.
“Consideramos que o trabalho de cooperação técnica e operacional agora desenvolvido em território moçambicano constitui um exemplo de colaboração institucional que tem norteado as relações entre as nossas instituições e estamos certos que poderemos continuar a colaborar com ela, sempre que for necessário”, declarou.
Sérgio Martins assinalou que o trabalho conjunto e em a equipa das duas estruturas de investigação criminal permitiu reunir, consolidar, fixar e sistematizar os elementos de prova, conferindo-lhes toda a coerência relativamente aos acontecimentos.
Martins notou que um conjunto vasto de diligências anteriormente realizadas pelo Sernic, para acautelar e preservar elementos de prova, apontava para a possibilidade de suicídio.
Antes da chegada dos elementos da PJ e do Instituto Nacional de Medicina Legal e de Ciências Forenses de Portugal, as autoridades de investigação moçambicanas realizaram uma inspecção ao local dos factos no Hotel Polana e outras múltiplas diligências, referiu aquele inspector português.
“ As conclusões pertinentes do Sernic e a averiguação da causa de morte apontavam para a possibilidade de estarmos perante um quadro o suicídio não existindo intervenção de terceiros”, enfatizou.
Não foi nas costas, mas na coxa
Por seu turno, o director do Sernic, Ilídio Miguel, elogiou “a colaboração frutífera” entre as entidades dos dois países, vincando que os elementos da PJ e a médica legal portuguesa que integrou a equipa “tiveram a oportunidade de ver o corpo”.
“Realçar que o corpo não apresentava ferimentos nas costas e mais ainda não tinha lesões de defesa, esta conclusão já constava do relatório da autópsia que o Sernic requisitou à Medicina Legal”, afirmou Miguel“ Ademais, o Sernic já havia realizado, através do Laboratório Central de Criminalista, exames de química, substâncias toxicológicas encontradas, sobretudo, no estômago do malogrado, e no local dos factos e conclui-se que se tratava de substâncias nocivas à saúde; portanto o ratex foi encontrado”, sublinhou, mantendo as declarações iniciais da entidade moçambicana de que o banqueiro ingeriu aquele produto feito para matar ratos.
O director do Sernic adiantou ainda que os exames realizados no ADN da vítima e na faca que usou para se matar pelo Laboratório de Central de Criminalística confirmaram que o banqueiro tirou a sua própria vida.
“A equipa da PJ e a médica legal visitaram todos os lugares visitados pelo malogrado, incluindo a casa-de-banho pública do hotel – e não de um quatro do hotel- , onde a vitima entrou e trancou e as diligencias conjuntas permitiram confirmar e consolidar o resultado que o Sernic, através do seu porta-voz tornou público no dia 20”, acrescentou.
Ilídio Miguel rejeitou as opiniões que defendem que o Sernic se precipitou ao anunciar as causas da morte no dia seguinte à ocorrência, justificando que o anúncio resultiu de “esforço abnegado para a busca da verdade material”.
Fim.




