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30 de January, 2026

Ataques Terroristas: Daniel Chapo critica “preconceito” sobre a província de Cabo Delgado

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O Presidente da República, Daniel Chapo, criticou o “preconceito” que só vê terrorismo em Cabo Delgado, defendendo que os ataques na província são esporádicos e que os insurgentes já “não controlam nenhuma vila”.

Chapo descreveu o ambiente que se vive actualmente em Cabo Delgado como de regresso à normalidade, após alguns anos de grave situação de insegurança, falando na quinta-feira (29) aos jornalistas, após a cerimónia de relançamento do projecto de gás natural liquefeito (GNL) da Área 1, do consórcio liderado pela TotalEnergies, ao lado do Chief Executive Officer (CEO) da petrolífera francesa, Patrick Pouyane.

O chefe de Estado vincou que a acção conjunta das Forças de Defesa e Segurança (FDS), do Ruanda e da SADC, estas com a sua missão em Cabo Delgado terminada em Julho de 2024, remeteu os grupos terroristas a actividades de “rapto de pessoas para pedirem resgate”.

Daniel Chapo recordou que os terroristas chegaram a ocupar e fazer da principal vila da província de Cabo Delgado, Mocímboa da Praia, o seu quartel-general. Além de Mocímboa da Praia, os insurgentes tinham conquistado outras vilas, recordou Chapo.

Notou que a presença em pontos importantes da província deu aos grupos armados a capacidade de lançar ataques, como o que ocorreu em Março de 2021, levando à decretação da cláusula de “force majeur” e à consequente suspensão do projecto de GNL da Área 1, na Bacia do Rovuma.

A cerimónia oficial de relançamento do empreendimento naquela província traduz a consolidação dos resultados positivos contra a violência armada protagonizada por rebeldes, acrescentou. “O CEO da TotalEnergies Patrick Pouyane perguntou se a cerimónia seria em Maputo ou em Afungi e eu defendi que seria em Afungi para mostrar ao país e ao mundo que Cabo Delgado está seguro”, afirmou.

O Chefe do Governo assinalou que a imagem negativa sobre a província tem inibido muitos jovens de aproveitar as oportunidades de emprego gerados pelo projecto. Enfatizou que o empreendimento emprega actualmente cerca de cinco mil pessoas, das quais 80% são moçambicanos e entre estes 40% são da província de Cabo Delgado. Numa fase intermédia de construção do empreendimento, serão criados cerca de 10 mil postos de trabalho e no pico 15 mil, sendo a maioria moçambicanos, acrescentou.

Por seu turno, o CEO da TotalEnergies salientou que a cerimónia de quinta-feira traduz a convicção de que Cabo Delgado voltou a ser um “lugar seguro”. Patrick Pouyane frisou que a cooperação entre as FDS moçambicanas e as tropas ruandesas reforça as garantias de que ataques como o de Março de 2021 não voltam a acontecer. “A ‘force majeur’ acabou”, enfatizou.

Total troca Jurista por engenheiro de Petróleo

O director da TotalEnergies em Moçambique, Maxime Rabilloud, vai ser substituído por Jean-Pascal Clemençon, numa altura em que o consórcio se prepara para arrancar com a construção da fábrica de gás natural liquefeito (GNL) em Afungi.

Ontem, o CEO da petrolífera francesa disse, em Cabo Delgado, que o empreendimento está perto de concluir a aquisição dos equipamentos necessários para a instalação da fábrica. Patrick Pouyane não se referiu à mexida que vai ocorrer na liderança da empresa em Maputo, tendo a Carta de Moçambique tomado conhecimento da alteração através de fontes próximas do processo.

O futuro director da TotalEnergies é um engenheiro de petróleo, uma formação pertinente para a fase de trabalhos de engenharia que se vai seguir, no âmbito da operação de montagem da unidade de produção do consórcio. O director cessante, que está em Maputo desde Março de 2021, é jurista de formação. (José Machicane, em Afungi)

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