O Chief Financial Officer (CFO) do Banco Comercial de Investimento (BCI), Pedro Ferraz Correia dos Reis, de nacionalidade portuguesa, foi encontrado na noite de segunda-feira (20) morto com uma faca penetrada no pescoço, numa casa-de-banho do Hotel Polana, em Maputo, em circunstâncias “muito misteriosas”, disse à Carta um responsável daquele estabelecimento hoteleiro, um emblemático de Moçambique.
“Esse trágico evento ocorreu na noite de segunda-feira, numa das nossas casas-de-banho. Esteve cá no hotel o Sernic e só eles é que podem indicar as circunstâncias do sucedido”, afirmou a fonte.
“Temos câmaras de vigilância no Hotel Polana, mas não nas casas-de-banho, obviamente, pelo que esse acontecimento brutal não está registado pelas câmaras”, avançou um responsável do hotel, concessionado pelo Estado moçambicano à Fundação Aga Khan.
O BCI emitiu uma “nota de pesar”, mas se refere apenas ao “falecimento”, não avançando as circunstâncias do infortúnio.
“É com profundo pesar que informamos o falecimento do nosso administrador e amigo Dr. Pedro Ferraz Correia dos Reis, ocorrido no dia 19 de Janeiro em Maputo”, pode ler-se na nota.
O BCI realça que o banqueiro português se distinguiu, ao longo dos anos, “pelo elevado sentido de responsabilidade, pela dedicação à instituição e pelo contributo relevante para o fortalecimento da governação, da solidez e da reputação do BCI”.
O canal público português RTP refere haver “fortes indícios de suicídio”, mas outra comunicação social daquele país europeu trata o ocorrido como “homicídio”.
A polícia moçambicana ainda não se pronunciou sobre as circunstâncias da morte trágica de Pedro Ferraz Correia dos Reis, que vivia em Moçambique há dez anos.
Um homem “porreiro” e “discreto” que quase morria afogado na Inhaca
Uma pessoa que privou com Pedro Ferraz Correia dos Reis relatou à Carta que o banqueiro era natural do Porto e era administrador do BCI há 10 anos.
Descrevendo o banqueiro como “porreiro e discreto”, a fonte recorda que, há uns anos, Reis andou perdido no mar durante cerca de oito horas, quando o barco em que ele, um outro administrador do BCI e outras pessoas naufragou, depois de ter saído, para um passeio, da Ilha da Inhaca, onde as vítimas estavam hospedadas em veraneio.
“Ele teve azar em Moçambique, quase que morria afogado, e só foi dar à terra, após longas horas no mar, porque era um bom nadador”, narrou.
No incidente, provocado “pela imperícia do jovem navegador do barco” morreram outras pessoas que não sabiam nadar ou devido à idade avançada.
Pedro Ferraz Correia dos Reis chegou a ser Presidente da Comissão Executiva (PCE) interino, após o então titular da função Paulo de Sousa ter sido interditado de exercer banca em Moçambique pelo Banco de Moçambique.
Reis acumulava as funções de vogal executivo e membro do Conselho de Administração, participando na definição da estratégia e na supervisão institucional do banco.
Integrava ainda o Conselho da Diáspora Portuguesa desde 2023, papel que foi atribuído pelo reconhecimento da sua ligação à comunidade portuguesa no estrangeiro e do seu percurso profissional internacional.
Pedro Ferraz Correia dos Reis licenciou-se em ‘Business Administration’ e tirou o mestrado em ‘Science in Finance’ pela pela Universidade Católica Portuguesa. Em 2011 terminou um ‘General Management Programme’ na Harvard Business School, em Boston, nos Estados Unidos.
Iniciou a carreira profissional em 1995, como assessor do presidente do Conselho de Administração e do Diretor Geral no Banco de Fomento Exterior (BFE).
O BCI Moçambique – controlado pela Caixa Geral de Depósitos (a Caixa Participações SGPS, SA tem 51% e a Caixa Geral de Depósitos, SA, 10,51%) e pelo BPI (o Banco BPI, SA tem 35,67%).





