Transportadores semi-colectivos das rotas Memba-Nacala-à-Velha e Memba-Nacala-Porto, na província de Nampula, queixam-se de cobranças ilícitas e extorsão, protagonizadas por agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da Polícia da República de Moçambique.
De acordo com as fontes, as cobranças variam entre 1.000 a 1.500 Meticais. “A situação em Memba está cada vez pior. As forças que deveriam proteger a população estão agora a extorquir. Os motoristas que estão a retirar as pessoas das zonas de risco são obrigados a pagar entre 1.000 e 1.500 Meticais. Caso não tenham esse valor, o motorista é impedido de seguir viagem, deixando consequentemente as pessoas para trás”, conta uma das vítimas.
Segundo alguns motoristas ouvidos pela nossa reportagem, a cobrança visa permitir a saída de viaturas daquele distrito, devido a uma alegada proibição para circulação de veículos naquele ponto do país. “É verdade, aproveitam-se da situação porque aqui está a sair muita gente para Nacala e outros para a cidade de Nampula”, descreveu um dos motoristas.
“Eu, em particular, levei a minha família para lá [Nacala]. Fiz duas viagens, mas em ambas tive de pagar 3.000 Meticais para poder passar no controlo. Cobram esse valor alegando que a deslocação a partir daquele ponto já é proibida”, sublinha outra fonte.
Os nossos entrevistados descrevem a situação que se vive em Memba como “crítica”, com centenas de famílias a deixarem as suas residências, concretamente as zonas de Mazua e Chipene.
Segundo o governador de Nampula, Salimo Abdula, até à última quinta-feira, mais de 50 mil cidadãos, incluindo crianças, tinham abandonado o distrito de Memba e encontravam-se no centro de acolhimento transitório no Posto Administrativo de Alua, no distrito de Eráti.





